Síndrome Hellp: saiba mais sobre essa complicação obstétrica

A síndrome Hellp é uma das complicações obstétricas mais temidas e perigosas, colocando em risco tanto a vida da mãe quanto a do bebê. Apesar de ser rara, afetando apenas 0,1 a 0,6% das gestações, a síndrome tem um impacto considerável na sociedade, por ter um diagnóstico muito difícil que impede o tratamento de ser iniciado na hora certa.
Mas afinal, o que é a síndrome Hellp? O que causa essa doença? O que pode ser feito para evitá-la? Vamos explicar tudo isso aqui no post! Confira!
A síndrome Hellp é uma doença hipertensiva da gestação, assim como a pré-eclâmpsia, a eclâmpisa e a hipertensão gestacional.
O nome Hellp é uma abreviação das alterações laboratoriais mais característicos da síndrome, em inglês:
Infelizmente, não há uma causa conhecida para a síndrome Hellp, mas, basicamente, trata-se de uma má adaptação do organismo materno à gravidez, que ativa fatores imunes e provoca alterações microvasculares e lesões celulares.
É muito comum que a mulher com a síndrome Hellp não apresente qualquer queixa e acredite que a gravidez está indo bem, mas algumas alterações podem ser encontradas:
A síndrome Hellp pode ser considerada uma complicação da pré-eclâmpsia, então para desenvolver a síndrome, a mulher já tem que apresentar os sinais e sintomas da pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial após 20 semanas de gestação e proteinúria).
Além disso, mulheres que já apresentam doenças do coração, dos rins, diabetes ou lúpus, mulheres com mais de 34 anos, mulheres que já tiveram outros filhos e mulheres de descendência europeia, parecem ter uma chance maior de desenvolver síndrome Hellp.
Estima-se que a síndrome Hellp afeta 0,1 a 0,6% das gestantes, sendo considerada um evento raro. Mas, dentre as gestantes com pré-eclâmpsia, até 12% vai evoluir com Hellp.
Tipicamente, os sintomas de Hellp surgem entre 27 semanas de gestação e o parto. Em alguns casos, no entanto, os sintomas ocorrem após o nascimento do bebê, geralmente na primeira semana do puerpério.
No caso da síndrome Hellp, o que vale são os achados laboratoriais. Assim, mesmo que a gestante não esteja sentindo qualquer sintoma, se o exame de sangue mostrar sinais de anemia hemolítica, baixa de plaquetas ou elevação de enzimas hepáticas, o diagnóstico é certo e o tratamento deve ser iniciado imediatamente.
Dessa forma, toda mulher que apresenta elevação da pressão arterial durante a gravidez deve realizar exames de sangue e de urina para investigar a presença de síndrome Hellp.
Sim. Como há alterações no sangue, as consequências são vistas por todo corpo. Sem tratamento a gestante poderá desenvolver edema agudo do pulmão, falência cardíaca, insuficiência renal, hemorragias de difícil controle e ruptura do fígado em casos muito graves, podendo levar ao óbito.
Se o corpo da mulher apresenta essas alterações, o bebê também pode entrar em sofrimento, apresentando sequelas ao nascimento ou óbito, quando não há tratamento adequado.
Uma parte do tratamento tem como objetivo estabilizar a gestante, repondo fluidos e componentes sanguíneos, reduzindo sua pressão arterial e iniciando uma medicação que previne convulsões.
Mas a única forma de tratar realmente a síndrome é interromper a gestação para permitir que o corpo da mulher se recupere. Nesse caso, a idade gestacional do bebê não será levada em consideração se a vida da mãe estiver em risco ou se o bebê já está demonstrando sinais de sofrimento.
Se a mulher não apresenta sintomas, está estável, os exames laboratoriais estão apenas moderadamente alterados e a gestação já estava mais próxima do fim, é possível realizar um tratamento de dois dias com corticoides para amadurecer o pulmão do bebê e esperar mais alguns dias para aumentar a chance de sobrevivência dele.
De qualquer forma, a gravidez nunca passará de 34 semanas, já que a partir daí os riscos superam os benefícios.
Depende. Se a gravidez já está mais no final, a mãe e o bebê estão estáveis e o trabalho de parto evolui rápido é possível realizar o parto vaginal, mas na maioria dos casos é realizada uma cesariana.
Depende da idade gestacional. Se a gravidez ainda estava bem no início, com menos de 24 semanas, considera-se que a mulher está sofrendo um aborto e que o feto não tem chance de sobreviver.
Em gestações com mais de 28 semanas, em geral, há uma boa chance do bebê sobreviver, se o nascimento ocorrer em um hospital com UTI neonatal e uma equipe capacitada para lidar com bebês tão prematuros.
Entre 24 e 28 semanas, depende do estado clínico da mulher, da possibilidade de realização do tratamento com corticoides e do protocolo de cada hospital.
Sim. Mulheres que já tiveram síndrome Hellp têm uma chance maior de ter a doença de novo que mulheres que nunca tiveram essa alteração na gravidez.
A taxa de recorrência nas gestações seguintes varia ente 2 e 27% e está associada a um maior risco de pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, crescimento intrauterino reduzido, descolamento de placenta e parto prematuro.
Não há nada a ser feito para a prevenção da síndrome Hellp especificamente. As medidas de prevenção são as mesmas para qualquer doença da gestação: realizar um pré-natal adequado, seguir todas as orientações do médico e buscar o serviço médico caso surja qualquer sintoma de Hellp.
Só dessa forma a síndrome Hellp pode ser diagnosticada e tratada precocemente, melhorando a chance de tudo dar certo tanto para a mãe quanto para o bebê.
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Categorias: Gravidez , Saúde na gravidez
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