Gravidez

Gravidez mês a mês: a saúde da grávida no quinto mês de gestação

No quinto mês de gestação, a maioria das dúvidas do início da gestação, tanto em relação à saúde da mulher, aos incômodos e aos enjoos que ela vivencia quanto ao temor de um problema grave com a gestação ou com a formação do seu bebê, já está sanada.

Agora, a mulher está mais disposta e passa a ter outros tipos de preocupações, que vão desde o planejamento financeiro até os desafios que ela enfrentará na criação do seu filho. No entanto, os cuidados com a saúde da mãe e do bebê que está crescendo em seu ventre devem continuar com força total.

Pensando exatamente nisso, em mais um artigo da série “Gravidez mês a mês”, abordaremos as principais dicas de saúde para a grávida no quinto mês de gestação, fase em que, normalmente, já se sabe o sexo do bebê, a barriga começa a pesar e ansiedade aumenta. Então, venha conferir e se preparar ainda melhor para esse novo período da sua gravidez!

As mudanças no corpo da mulher gestante

Com o avançar da gestação, a mulher começa a experimentar outras mudanças no seu corpo e sintomas diferentes daqueles que ela costumava sentir no primeiro trimestre de gravidez. A seguir, trouxemos as características mais marcantes do quinto mês de gestação:

Sintomas físicos

Nessa fase, que compreende o período entre a 17ª e a 22ª semanas, a grávida começa a se sentir mais disposta, pois a fadiga e as náuseas costumam acabar. Geralmente, as modificações da mama também se estabilizam, diminuindo as dores e os desconfortos.

Ao mesmo tempo, a barriga fica mais visível, já que o útero e o bebê crescem. Consequentemente, a gestante passa a ganhar peso rapidamente que, ao final do mês, pode totalizar cerca de 5 quilos adicionais. Por causa disso, as dores na virilha, nas coxas e, principalmente, na coluna e nas costas começam a aparecer.

Junto com o crescimento da barriga, algumas mulheres passam a ter dificuldade e incômodos na hora de dormir. Assim, é preciso optar por posições mais confortáveis na cama, como deitar-se de lado, colocando um travesseiro ou uma almofada entre as pernas na altura do joelho, o que aumenta o equilíbrio do corpo e oferece melhor sustentabilidade para a coluna.

No quinto mês, o bebê já é bem ativo e os seus movimentos podem ser sentidos mais intensamente, o que é um momento muito gostoso para mamãe e para o papai. Mas, ao mesmo tempo, dependendo da posição assumida por ele no útero, tais movimentos também podem causar algumas dores e desconfortos na gestante.

Também é nesse período que as manchas amarronzadas no rosto — os chamados cloasmas — têm maior chance de aparecer, da mesma forma que as estrias no glúteo e nos quadris.

Sintomas emocionais

É muito comum que essa fase venha acompanhada de ansiedade e irritação, o que é fruto tanto das variações hormonais quanto das mudanças físicas, que fazem a gravidez parecer ainda mais real. Assim, a mulher começa a vivenciar inseguranças quanto aos desafios que poderá enfrentar no parto, nos primeiros cuidados e na criação do seu filho.

Diante disso, é indispensável o apoio do companheiro, da família e dos amigos da gestante, além do acompanhamento pré-natal, o qual traz mais tranquilidade quanto a saúde da gravidez.

Alimentação no quinto mês de gravidez

Assim como no início da gravidez, uma alimentação equilibrada é crucial nesse período da gestação para que o bebê continue se desenvolvendo bem, sem que a saúde e a disposição da mulher sejam prejudicadas. Então, confira alguns alimentos e nutrientes que não podem faltar no seu dia a dia:

Alimentos ricos em cálcio e vitamina D

Nessa fase da gestação, se inicia a ossificação junto com o crescimento dos dentes do bebê, mudanças que demandam um maior aporte de cálcio e vitamina D. Concomitantemente, o corpo da gestante começa a estocar o cálcio que será utilizado na futura produção do leite materno.

Assim, se a alimentação for pobre nesses nutrientes, o organismo mobilizará o mineral e a vitamina dos ossos da própria gestante para continuar o desenvolvimento dos ossinhos do bebê. Como consequência, podem surgir cáries e perdas dentárias, câimbras e osteoporose a médio ou longo prazo na mulher.

Por causa disso, cardápios com alimentos ricos em cálcio, como o leite e os seus derivados — queijo cottage e iogurte integral, por exemplo —, a sardinha sem pele, o salmão e outros alimentos de origem vegetal como o tofu, o brócolis, o espinafre, a mostarda, o quiabo, a couve, a castanha-do-pará, as amêndoas e o feijão são fundamentais para a saúde dos ossos da gestante.

Como fonte de vitamina D nesse período da gestação, podem ser citados o salmão, o atum e a sardinha, a gema de ovo, a carne de fígado bovino e o cogumelo.

Alimentos fonte de ferro e ácido fólico

Além do cálcio e da vitamina D, os obstetras também recomendam que haja um aumento na ingestão de alimentos ricos em ferro, a fim de prevenir que a anemia se instale na mamãe. Isso porque é a partir do 5º mês de gestação que o sistema circulatório do bebê passa a funcionar com força total, demandando maior aporte desse nutriente para as hemoglobinas.

Para acompanhar essa demanda aumentada, a gestante deve ingerir mais feijão, carnes vermelhas — tomando cuidado com a quantidade de gordura presente nessas carnes — e vegetais verde-escuros: agrião, couve, espinafre e brócolis.

Com o objetivo de aumentar a absorção e a retenção do ferro, é aconselhado que os vegetais verde-escuros sejam ingeridos junto com alimentos ricos em vitamina C: sucos de laranja ou de limão, frutas cítricas — como o melão, o morango e a acerola —, tomate, pimentão verde e couve-flor.

O ácido fólico é muito importante para o desenvolvimento adequado do sistema nervoso da criança e, além disso, ajuda a prevenir a instalação de anemia, problemas digestivos e fraqueza na gestante. São fontes de ácido fólico os vegetais de folhas verdes, a carne de fígado bovina a gema do ovo e a cenoura.

Aporte calórico e de água

Também é recomendado que sejam acrescidas de 300 a 500 calorias diárias, no entanto, esse acréscimo deve ser indicado pelo seu médico e calculado de acordo as suas condições clínicas e metabólicas.

De grande importância, não só no quinto mês, mas em todos os meses da gravidez, é a ingestão adequada e frequente de água, já que ela é indispensável para o funcionamento do organismo, além de ajudar na prevenção da prisão de ventre e das tonturas comuns no segundo trimestre de gestação.

Outros nutrientes importantes

Nessa fase também é aconselhável o aumento do consumo de alimentos com maior teor de fibras, como o pão e o arroz integral, os cereais e as frutas, que ajudam no funcionamento do intestino, prevenindo a constipação e os gases.

Também é fundamental aumentar a ingestão de proteína — que pode ser encontrada tanto em laticínios quanto nas carnes e nos ovos — já que ela é fundamental para o desenvolvimento e a constituição dos órgãos e dos tecidos da criança que está se desenvolvendo.

Outro alimento que não pode faltar no cardápio de uma mulher no 5º mês de gestação é a banana, uma vez que ela é uma grande fonte de vitamina B6 e de potássio, nutrientes que ajudam a prevenir cãibras, tão comuns nessa fase da gravidez.

Nesse período, também são mais comuns os desejos por certos alimentos, o que pode ser o corpo sinalizando a falta de algum nutriente no organismo. Por isso, fique atenta a esses desejos incontroláveis e procure saber em que tipo específico de nutriente tal alimento é rico. Além disso, saiba diferenciar o desejo orgânico da ansiedade, ambos comuns nesse mês de gestação.

Já com relação às grávidas diabéticas ou com diabetes gestacional, a alimentação deve ser diferenciada. Seu médico pode indicar um nutricionista para elaborar uma dieta ideal para a sua condição clínica e acompanhar a evolução da sua gravidez mês a mês.

A vida sexual da gestante no 5º mês

Influência do tamanho do útero e da barriga na relação sexual

Quem já chegou ao quinto mês de gravidez já sabe que o sexo não é proibido durante a gestação. No entanto, como o útero está maior e a barriga proeminente, podem haver desconfortos na relação sexual.

A dica é conversar sobre isso com o seu parceiro, tentar novas posições ou se concentrar nas posições que vocês já conhecem e que sabem que não provocam dor. Explorar outras formas de satisfação sem a penetração também é válido e ainda ajuda a melhorar a intimidade do casal.

Diminuição ou falta de libido durante a gravidez

A falta de libido feminina também poderá ocorrer não apenas no quinto mês, mas em toda a gestação, já que as alterações hormonais influenciam no desejo da mulher. Converse com o parceiro e também com seu médico para descobrir o que pode ser feito para contornar essa situação ou aprenda a lidar com o problema que, afinal, tende a ser passageiro e cessar com o fim da gestação.

A prática de atividades físicas

A pratica de exercícios físicos é indispensável na gestação, visto que ela melhora a circulação sanguínea — que, inclusive, pode ficar dificultada nos membros inferiores, devido ao aumento do peso da barriga —, diminui a retenção de líquidos, fortalece os músculos das pernas e o do abdômen, ajuda no controle do ganho de peso e promove uma sensação de bem-estar.

No entanto, os exercícios devem ser de menor intensidade, principalmente no final do quinto mês de gestação. Isso porque atividades físicas de alto impacto podem estimular a contração uterina e prejudicar as articulações que já começam a ficar sobrecarregadas nessa fase da gravidez.

Assim, o mais recomendado para se manter em forma é o Yoga, as caminhadas e a hidroginástica, visto que são atividades que têm baixo impacto e, dessa forma, ótimas escolhas de atividade física para gestantes a partir do quinto mês. As atividades devem ser sempre liberadas pelo médico e orientadas por um profissional habilitado: educador físico ou fisioterapeuta.

É importante salientar que as mamães que não se exercitaram durante o primeiro trimestre da gravidez devem evitar começar atividades físicas nessa fase e preferir outras atividades mais relaxantes, como a meditação e a caminhada de curta distância.

E aqui vale um alerta: não se deixe influenciar pelo ganho de peso somado ao arrependimento de não ter se exercitado nos primeiros meses de gestação, tentando recompensar o tempo perdido. Isso pode gerar ansiedade, o que é nada saudável nem para você, nem para o bebê. Nesse caso, o ideal é ter paciência, continuar com a alimentação recomendada pelo médico e deixar para perder peso após o bebê nascer.

Exames que a grávida deve realizar nesse período da gestação

Uma mulher no quinto mês de gestação já sabe como é importante o acompanhamento pré-natal para a saúde de ambos, mamãe e bebê que está se desenvolvendo, e para ter um parto tranquilo, sem intercorrências.

O quinto mês se situa exatamente na metade do segundo trimestre da gravidez e os exames pré-natais que devem ser realizados são:

  • Hemograma completo: durante todos os três trimestres da gravidez deve ser feito, periodicamente, um hemograma completo para verificar se há anemia, infecção, ou alterações nas plaquetas. Esse exame é de fundamental importância desde a primeira consulta para manter a saúde da grávida e, consequentemente, do bebê.
  • Exame de urina: além de ser realizado no início da gravidez, o médico poderá solicitá-lo em outras fases da gestação. Ficar atenta a qualquer ardor ao urinar ou outras mudanças em seu aparelho urinário e reportar ao médico é a recomendação principal nesses casos.
  • Ultrassom: o objetivo do ultrassom é acompanhar o desenvolvimento do feto e a presença de problemas, como o descolamento de placenta e a má-formação da criança. Geralmente, esse exame é muito esperado pela mamãe, já que com ele é possível ver as imagens do bebê dentro do útero. Existem diferentes tipos de ultrassom, que são pedidos em fases distintas da gestação. No quinto mês, é realizado o ultrassom morfológico, o qual mostra com detalhes os órgãos do bebê, permitindo a avaliação do seu desenvolvimento e a determinação segura do seu sexo.
  • Ecocardiografia fetal: sua finalidade é verificar a saúde do coração do bebê. Esse exame é solicitado, sobretudo, quando há casos de doenças cardíacas na família da grávida ou se a gestação ocorre depois dos 40 anos de idade.

Agora que as suas principais dúvidas com relação à saúde da gestante no quinto mês já foram sanadas, siga as nossas redes sociais — FacebookInstagramTwitter e YouTube — para ficar por dentro dos outros artigos da série “gravidez mês a mês” e de outras informações importantes do universo da gestação.

Categorias: Gravidez , Segundo trimestre de gravidez

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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