Criança

Como introduzir alimentos para o bebê durante o seu crescimento?

Até os seis meses de vida, a recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde é que o leite materno seja o único alimento oferecido ao bebê. O leite materno contém anticorpos que ajudam no combate de infecções, reduz o risco de alergias alimentares e obesidade, tem melhor digestibilidade e contém todos os nutrientes necessários para o bom crescimento e desenvolvimento do bebê. Além disso, à medida que cresce e se desenvolve, o organismo do bebê se prepara para passar de uma alimentação líquida para uma dieta sólida.

Mesmo para crianças alimentadas com fórmulas infantis, a orientação é aguardar esse período para oferecer outros alimentos. Isso porque, é preciso que o organismo do bebê esteja preparado para digerir alimentos sólidos e que ele tenha desenvolvido habilidades motoras, como sustentar a cabeça, para que consiga mastigar e deglutir corretamente os alimentos.

No post de hoje trazemos uma série de informações sobre como introduzir alimentos para o bebê. Vamos ajudá-la a identificar quando seu filho está pronto para experimentar novos sabores, os cuidados com o preparo das refeições, entre outras dicas. Confira!

Como saber se o bebê está pronto para novos sabores?

Em geral a introdução de novos alimentos para o bebê começa aos seis meses. No entanto, como muitas mães precisam voltar antes ao trabalho, algumas crianças iniciam a nova dieta aos quatro ou cinco meses — sempre com orientação do pediatra, especialmente se o bebê for prematuro.

Nessa fase, em geral, o pequeno já perdeu o reflexo de colocar a língua para fora, já consegue manter sua cabeça ereta e se sentar bem com apoio nas costas. O bebê também faz movimentos de mastigação, levando o alimento para o fundo da boca e seu sistema digestivo já está amadurecido tendo melhor capacidade para combater infecções ou alergias alimentares que possam surgir.

Como introduzir alimentos para o bebê?

Os novos alimentos devem ser introduzidos gradativamente. Em geral, se começa com suco ou  papa de fruta amassada no lanche da manhã, por volta de duas horas após a primeira mamada. Caso a criança aceite bem introduza o suco ou papa de fruta também no lanche da tarde após aproximadamente 1 semana. Caso a criança não aceite bem ou permaneça com fome, complementar a refeição com leite materno.

Cada fruta  deve ser dada separadamente,  por ao menos dois a três dias, para se ter certeza de que não provocará reação, cólica ou prisão de ventre.  A partir da aceitação de cada fruta individualmente, pode-se misturar duas ou mais delas para fazer uma papa mais rica. O suco pode ser batido com outras frutas, ou com legumes.

Nenhuma fruta é contraindicada. Leve em conta as características regionais, custo, hábito intestinal e estação do ano para fazer sua escolha. Dê preferência para as frutas mais suaves, como maçã, banana, mamão ou pêra. Suco de laranja-lima também é uma ótima opção, por ser rico em vitamina C e pouco ácido.

Como o sistema digestivo da criança ainda é imaturo, não exagere na quantidade. Comece com 60 a 90 ml do suco e metade a 1 fruta dependendo do tamanho. Nunca acrescente açúcar ou mel antes do primeiro ano de vida.

As papas salgadas são introduzidas em geral 1 mês após as papas doces caso a criança apresente boa aceitação. Elas entram na alimentação infantil para suprir as novas necessidades nutricionais e calóricas do corpo em desenvolvimento e, assim como as frutas, devem ser introduzidas aos poucos.

A papa salgada deve ser primeiro introduzida na hora do almoço e, após 1 a 2 semanas, caso a criança esteja aceitando bem, também na hora do jantar. o ideal é preparar as papinhas com água filtrada, pouco óleo (de preferência de soja ou canola) e sem adição de sal ou temperos prontos.

As papinhas não devem ser batidas no liquidificador para ficarem ralas. O ideal é que as papas sejam amassadas ou passadas na peneira para que a mastigação seja estimulada. Nas primeiras papas as carnes devem ser retiradas, utilizando-se somente o seu caldo.

O segredo para que seu filho aceite os novos sabores é a repetição e, acima de tudo, a paciência. Depois de meses acostumado ao leite e ao sabor adocicado das frutas é possível que demore a apreciar o gosto e a consistência das papas salgadas.

Quando oferecer água para o bebê?

Enquanto mamam no peito os bebês não precisam beber água, pois o leite materno oferece toda a hidratação necessária. Mas assim que se começa a introduzir os alimentos sólidos, também é preciso oferecer a água para evitar a desidratação com a redução das mamadas. A recomendação é que dos seis meses a um ano sejam ofertados de 30 ml a 60 ml de água cerca de cinco vezes ao dia. Lembrando sempre que água deve ser filtrada e/ou fervida.

Quando oferecer sucos?

Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que os sucos sejam dados com cautela. Além de serem muito calóricos (é preciso de duas a três laranjas, por exemplo, para fazer um copo de suco) se perde muita fibra na preparação dos sucos, em comparação com as fibras presentes na fruta in natura. No entanto, quando forem oferecidos, a orientação é que não ultrapasse 100 ml por dia e sejam dados após as refeições principais para ajudar na absorção do ferro presente em alimentos como o feijão e as folhas verde-escuras.

Os sucos não devem substituir as papinhas de frutas. Para facilitar a aceitação da criança, o melhor é usar frutas menos ácidas, como a laranja lima. Evite polpas e frutas congeladas para que o bebê possa sentir bem o sabor de cada fruta. Não coloque água ou açúcar e dê preferência às frutas da estação.

Se o seu bebê não toma mamadeira, ofereça o suco em uma colher de plástico ou silicone ou em um copinho.

Como saber se o bebê comeu o suficiente?

No início o bebê pode comer bem pouquinho, pois estranha os novos sabores e texturas. Se for necessário, não há problemas em complementar a refeição com leite materno.

Muitas crianças rejeitam os alimentos na primeira vez que provam. Não desista! O bebê precisa se acostumar com os novos sabores. Se ele não aceitou bem um alimento, tente novamente em outro dia.

Observe o bebê, se ele começar a rejeitar as colheradas, cuspir ou brincar com a comida, provavelmente ele já está satisfeito. Não force que ele coma mais do que deseja. E lembre-se que o apetite dele pode variar para mais ou para menos em alguns dias.

Quais os cuidados com a preparação dos alimentos para o bebê?

A introdução de novos alimentos acaba sendo também um fator de risco para a contaminação do bebê com bactérias e micro-organismos presentes nos alimentos e utensílios utilizados para preparar a refeição. Por isso, é imprescindível que a papinha do bebê seja feita em local limpo e com especial cuidado com a higienização das mãos de quem os prepara.

Frutas, verduras e os utensílios utilizados pelo bebê, como mamadeiras e copos, devem ser lavados com água corrente e deixados de molho por 15 minutos em uma solução com água e hipoclorito de sódio a 2,5% (são 20 gotas de hipoclorito para cada litro de água).

O bicarbonato de sódio ajuda a reduzir os riscos de contaminação por agrotóxicos. A recomendação é usar uma colher de sopa de bicarbonato para cada litro d’água e deixar as frutas e verduras imersas nessa solução por 20 minutos.

Quais os reflexos da nova dieta de alimentos para o bebê?

Com a introdução dos alimentos sólidos e pastosos você vai notar uma diferença na textura e no odor das fezes do bebê. Alguns alimentos podem prender mais o intestino da criança e outros soltar. Observe essas mudanças para evitar a prisão de ventre infantil e a diarreia. É bom lembrar que alguns alimentos também vão alterar a cor das fezes, como a beterraba, que pode deixá-las avermelhadas e acabar assustando as mamães.

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    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    (CRM: 876879RJ)
    Graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá;
    Residência Médica em Pediatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Residência Médica em Endocrinologia Pediátrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Certificado de Atuação na Área de Endocrinologia Pediátrica (CAAEP)- RJ; Mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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