Células-Tronco

Efeito do sangue de cordão umbilical em crianças com paralisia cerebral

Um resumo dos mais recentes estudos da Duke University, Carolina do Norte, EUA

A paralisia cerebral

A paralisia cerebral (PC) é o transtorno motor mais comum da infância e afeta duas a três crianças em cada 1.000 nascidos vivos. Tipicamente resulta de uma lesão cerebral intra-útero e/ou perinatal, como insulto hipóxico, hemorragia ou acidente vascular cerebral.

As crianças afetadas têm diferentes graus de deficiências funcionais, apresentando desde limitações leves em habilidades motoras, até severas restrições para realizar atividades de forma independente.

O sangue do cordão umbilical

Atualmente, a base do tratamento da PC são as terapias para otimizar as funções motoras e a qualidade de vida. Embora a cura ainda não esteja disponível, existem fortes evidências de que as células do sangue do cordão umbilical podem atuar através de uma via parácrina de sinalização endógena, facilitando o reparo celular e melhorando a função motora em crianças com PC.

O Estudo da Duke University, Carolina do Norte, EUA

Metodologia

Realizou-se estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com cross over de pacientes com infusão de células de sangue de cordão umbilical autólogo.

  • 63 crianças de 1 a 6 anos
  • Classifi cação de Gross Motor (GMFCS) nível 2-4 ou
  • GMFCS nível 1 com hemiplegia (usando mão afetada apenas como auxiliar)

Pacientes grupo 1

Recebem uma infusão de sangue de cordão umbilical no início do estudo e uma infusão de placebo após 1 ano.

Pacientes grupo 2

Recebem placebo no início do estudo e sangue de cordão umbilical após 1 ano de seguimento.

Todos os participantes foram avaliados no início do estudo, 1 e 2 anos depois, através de avaliações da função motora global e de ressonâncias magnéticas para a avaliação da conectividade cerebral.

Resultados

Todas as infusões foram bem toleradas e não houve adversidade grave relacionada ao procedimento.

Após o primeiro ano do início do estudo notou-se que ambos os grupos melhoraram mais do que o esperado com base na idade dos pacientes, entretanto, os indivíduos que tinham sido randomizados para receber sangue de cordão e que foram tratados com celularidade total acima de 3×107/kg demonstraram melhora maior em comparação com indivíduos que receberam doses mais baixas de células ou placebo, sem relação com a idade do paciente ou tipo/gravidade da paralisia cerebral.

A relação entre a dose celular e o desfecho também foi confirmada com a análise dos dados obtidos aos 2 anos e também ao analisar a relação entre a conectividade cerebral e a dose celular: os pacientes que receberam uma maior celularidade tiveram um aumento mais significativo da conectividade normal do cérebro do que as crianças que receberam doses mais baixas.

Conclusão

Resultados deste estudo sugerem que, quando administrada uma dose superior a 2×107 células por quilo do paciente, a infusão intravenosa autóloga do sangue do cordão umbilical melhora a conectividade total do cérebro e a função motora em crianças com paralisia cerebral.

Esses achados têm importantes implicações para o tratamento de crianças com PC e devem ser explorados em futuros estudos.

Artigo original:

Sun, J. M., Song, A. W., Case, L. E., Mikati, M. A., Gustafson, K. E., Simmons, R., Goldstein, R., Petry, J., McLaughlin, C., Waters-Pick, B., Chen, L. W., Wease, S., Blackwell, B., Worley, G., Troy, J. and
Kurtzberg, J.

(2017), Eff ect of Autologous Cord Blood Infusion on Motor Function and Brain Connectivity in Young Children with Cerebral Palsy: A Randomized, Placebo-Controlled Trial.

STEM CELLS Translational Medicine. doi:10.1002/sctm.17-0102

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    Dra. Roberta Pasianotto Costa Trofo

    Dra. Roberta Pasianotto Costa Trofo

    (CRM 98.256/SP)
    Graduação em Medicina - Faculdade de Medicina de Jundiaí, 1999;
    Residência Médica em Clínica Médica e Patologia Clínica/Medicina Laboratorial na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP;
    Especialização em Hematologia e Hemoterapia na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP;
    Título de Especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial - SBPC.

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