Gravidez

Final da gravidez: como fica a rotina de trabalho?

Então, finalmente, a espera está chegando ao fim: você já está no final da gravidez e, dentro de mais algumas semanas, estará segurando seu bebezinho nos braços. É difícil conter a ansiedade – ainda mais porque o terceiro trimestre costuma ser o mais desconfortável.

A fase final da gravidez pode envolver desafios tanto físicos quanto emocionais. Por causa do tamanho do bebê na barriga, é difícil se sentir confortável, especialmente quando você ainda precisa trabalhar.

Enquanto a licença-maternidade não começa, leia o nosso artigo e saiba o que esperar no terceiro trimestre e como ficará sua rotina de trabalho antes do bebê chegar.

O que acontece com seu corpo no final da gravidez?

Nessa fase, o bebê já estará bem maior e se mexendo cada vez mais. Você e sua família vão adorar tocar a barriga para sentir os seus movimentos, mas, por outro lado, o desconforto da gravidez costuma ser maior para a gestante.

Seu peso continuará aumentando, devido ao tamanho do bebê, do volume da placenta, do líquido amniótico e do sangue. Seus seios estarão maiores a cada dia que passa e é comum que um líquido amarelado, o colostro, comece a vazar dos mamilos.

As dores nas costas serão mais frequentes, pois sua coluna estará bem arqueada. Ao sentar, use almofadas para apoiar as costas; na hora de dormir, um travesseiro extra para apoiar a barriga dará mais conforto. Use sapatos mais baixos e confortáveis, mas não totalmente planos e sem salto. Compressas e massagens nas costas também ajudam muito a aliviar o desconforto!

Com a expansão do útero, os órgãos internos são pressionados, sendo comum sentir falta de ar e azia. Procure manter a postura ereta, para dar mais espaço aos pulmões. Para evitar o desconforto estomacal, é bom fazer pequenas refeições e tomar muito líquido, além de evitar frituras, comidas muito temperadas e frutas cítricas – dê preferência à maçã, que é excelente para amenizar a queimação no estômago.

Seu útero dilatado fará mais pressão sobre as veias, prejudicando a circulação, por isso pés e pernas inchadas são mais comuns no final da gravidez. Além do inchaço, cãibras e formigamentos também são frequentes. Evite ficar muito tempo parada em pé e procure movimentar-se mais. Coloque os pés para cima sempre que possível e evite cruzar as pernas ao sentar. Seu médico pode recomendar, ainda, o consumo de cálcio e potássio, para evitar as cãibras.

No final da gravidez, você vai urinar com mais frequência, devido à pressão do útero sobre rins e bexiga. Também é comum pequenos escapes de urina e de líquido pelo canal vaginal. Você pode usar protetores de calcinha para se manter seca.

Nessa fase da gravidez, pode haver aumento de varizes e pequenos vasos nas pernas, por isso é importante deitar-se com as pernas elevadas sempre que possível. Usar meias elásticas também contribui para maior conforto da gestante. Previna também o desconforto das hemorróidas, evitando a constipação intestinal com uma alimentação rica em fibras, muita água e sucos naturais.

Pode ser que você comece a sentir pequenas contrações no terceiro trimestre da gravidez, normalmente leves e irregulares. Fique atenta: as contrações do parto são mais fortes, mais longas e ocorrem em intervalos regulares. Se esse for o caso, telefone para o obstetra!

É importante lembrar que, apesar de todos esses sintomas serem normais e esperados no final da gravidez, eles devem ser sempre comunicados ao seu médico e monitorados em suas consultas regulares durante a gravidez. No terceiro trimestre, o médico vai estabelecer um calendário mais frequente de consultas. Anote tudo o que você estiver sentindo para fazer um relato confiável e detalhado ao profissional que acompanha sua gestação.

E a rotina de trabalho, como fica?

Mesmo que o terceiro trimestre envolva desconfortos, nada impede que você trabalhe até o final da gravidez. Se tudo estiver correndo bem, você pode trabalhar até bem perto do parto e, assim, prolongar a licença-maternidade.

Algumas adaptações na rotina de trabalho vão ajudar a futura mamãe a se sentir mais confortável:

  • Se trabalha no computador, ajuste a altura da cadeira e do monitor, use almofada para apoiar as costas e tenha um apoio para os pés;
  • Reposicione sua mesa para ficar mais perto do banheiro;
  • Tenha frutas, lanches leves e água sempre à mão;
  • Faça pausas regulares: se trabalha sentada, levante-se e caminhe; se trabalha de pé, sente-se e eleve as pernas por alguns minutos;
  • Tente cochilar por 10 ou 15 minutos no horário de almoço: pode ser no carro, em seu escritório ou à sombra de uma árvore na praça;
  • Tente evitar tarefas que envolvam movimentos repetitivos;
  • Faça alongamentos, exercícios respiratórios ou meditação por alguns minutos durante o expediente;
  • Use roupas e sapatos confortáveis.

Em que casos é aconselhável parar de trabalhar?

Quem vai determinar se você deve ou não parar de trabalhar é o seu médico. Estas são algumas situações nas quais um afastamento do trabalho pode ser aconselhado:

  • Risco de parto prematuro;
  • Gestação múltipla;
  • Diabetes gestacional;
  • Pressão arterial elevada com risco de pré-eclâmpsia;
  • Casos de placenta prévia;
  • Histórico de abortos;
  • O bebê não está se desenvolvendo como deveria.

Quais são seus direitos de gestante?

Muito além do atendimento preferencial em instituições públicas e privadas e dos assentos reservados no transporte público, a lei trabalhista brasileira garante vários direitos à gestante durante a gravidez e o período de amamentação.

Vamos ver uma lista de seus principais direitos como grávida, de acordo com o site Portal Brasil.

  • Direito ao trabalho: nenhuma empresa pode recusar sua contratação por você estar grávida;
  • Direito à estabilidade no emprego: você não poderá ser demitida no período que vai desde a concepção até cinco meses depois do nascimento do bebê;
  • Se descobrir a gravidez depois de uma demissão ou durante o aviso prévio, você tem direito a ser readmitida;
  • Licença-maternidade pelo período de 120 dias, com direito a salário integral, que pode ser requerida a partir do oitavo mês de gestação;
  • Extensão de 60 dias na licença-maternidade, caso a empresa participe do Programa Empresa Cidadã;
  • No mínimo seis ausências do trabalho no período pré-natal para ir às consultas médicas e fazer exames;
  • Solicitar mudança de função ou setor caso seja aconselhável para seu estado de saúde, com a garantia de retorno ao antigo setor ou função quando voltar a trabalhar;
  • Depois da licença-maternidade, dois intervalos de 30 minutos por dia para amamentar, até que seu bebê complete 6  meses;
  • Duas semanas de licença em casos de aborto espontâneo;
  • A licença-maternidade de 120 dias também é garantida nos casos de adoção.
O terceiro trimestre é um período de desconforto, mas nada impede que a futura mamãe trabalhe até o final da gravidez, caso o obstetra não se oponha. Se você estiver se sentindo bem, pode querer trabalhar até a véspera do parto, para que a licença-maternidade seja totalmente aproveitada depois que o bebê já tiver nascido. Conciliar trabalho e gravidez é perfeitamente possível!

Gostou do nosso artigo? Venha trocar ideias conosco e com outras futuras mamães. Deixe seus comentários no blog!

Categorias: Gravidez , Terceiro trimestre de gravidez , Tipos de parto / Pós parto

Mais de 100.000 mães acompanham nosso conteúdo!

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

    Caro Leitor,

    A CordVida produz o conteúdo desse blog com muito carinho e com o objetivo de divulgar informações relevantes para as futuras mães e pais sobre assuntos que rondam o universo da gravidez. Todos os artigos são constituídos por informações de caráter geral, experiências de outros pais, opiniões médicas e por nosso conhecimento científico de temas relacionados às células-tronco. Os dados e estudos mencionados nos artigos são suportados por referências bibliográficas públicas. A CordVida não tem como objetivo a divulgação de um blog exaustivo e completo que faça recomendações médicas. O juízo de valor final sobre os temas levantados nesse blog deve ser estabelecido por você em conjunto com seus médicos e especialistas.