Gravidez

12 mitos sobre resguardo para você não se preocupar mais

Resguardo ou quarentena são os nomes mais populares para definir o puerpério, uma fase na vida da recém-mamãe que se inicia logo após o parto, podendo se estender até a sexta ou oitava semana seguinte. Neste período o útero — que durante a gestação chega a ficar 50 vezes maior — e os demais órgãos da mulher se recuperam e voltam ao seu estado normal.

Além dos cuidados com o bebê, a mãe não deve se esquecer de também se cuidar em relação à recuperação pós-parto. Existem muitos mitos e proibições em torno desta fase e, no post de hoje, ajudaremos a desvendar (e confirmar!) alguns deles, deixando você bem mais tranquila quanto a este período tão turbulento. Vamos lá!

12 mitos sobre resguardo

1. É proibido praticar atividades físicas

Exercícios mais pesados, como corridas, são proibidos nos primeiros 45 dias nos casos de parto normal e 90 dias nos casos de cesárea porque o esforço pode atrapalhar o processo de recuperação. Já caminhadas leves, de 20 a 30 minutos, podem ser feitas após 30 dias de parto, e para nadar confortavelmente, sem risco de escapes de sangue, é melhor esperar cerca de dois ou três meses.

2. A mulher não poderá engravidar enquanto estiver amamentando

Mito! Nos primeiros 42 dias do resguardo, há pouquíssima probabilidade de engravidar, e essa hipótese continuará baixa enquanto a mulher estiver amamentando por livre demanda, (no mínimo de 3 em 3 horas) que faz com que a ovulação seja inibida. No entanto, isso não quer dizer que não há risco de gravidez, e a partir da 7ª semana pós-parto, ele pode triplicar. Por isso, a mulher deve adotar um método contraceptivo que não interfira no leite, como a minipílula à base de um único hormônio (progesterona) ou o DIU de cobre.

Dica: 8 cuidados que você deve ter no período pós-parto

3. Relações sexuais são proibidas na quarentena

Verdade! Os vasos do útero, onde ficava a placenta, estão abertos e há um grande risco de contaminação e infecção. O atrito do pênis durante a penetração também pode causa dor e, por isso, o sexo deve começar gradualmente e bem devagar.

4. Mulheres que tiveram parto normal podem ter problemas na vida sexual

Isso depende! Algumas vezes, esses partos exigem demais da musculatura da vagina, e a consequência disso é a redução da força muscular na região. O que os ginecologistas recomendam nesses casos é a prática de exercícios locais, que podem ajudar a mulher a retomar a vida sexual com o mesmo prazer de antes da gravidez.

5. Após o nascimento do bebê, nunca mais haverá sexo entre os pais

Mentira! Esse é um dos mitos sobre resguardo. A verdade é que a libido dos pais pode ser alterada pela nova rotina da casa, que passa a se basear em novas preocupações e choros de recém-nascido. A disponibilidade e a importância dada para as relações sexuais mudam e interferem, sim, na dinâmica do casal, mas, fisicamente, o sexo no pós-parto não é menos prazeroso.

Há relatos de casais que consideram exatamente o oposto, e declaram que nada mudou depois do nascimento do filho. Por isso, é sempre muito importante que marido e mulher mantenham o hábito de conversar sobre a vida a dois — além de carinho, atenção, respeito, cordialidade e a capacidade de se colocar no lugar do outro.

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6. A mulher não pode lavar o cabelo nos primeiros dias da quarentena

Isso é um dos grande mitos sobre resguardo! Não há problema em lavar os cabelos. A lavagem pode ser feita já no primeiro dia do pós-parto, inclusive.

7. A queda de cabelo pode aumentar após o parto

Verdade! O cabelo pode cair devido à alteração de alguns hormônios da mulher nesta fase e à perda da placenta. Felizmente, esse processo atinge o seu auge até 90 dias depois do parto e após este período tudo se normaliza.

8. Os cabelos não devem ser tingidos durante a amamentação

Em relação às tinturas, o ideal é adiar esse procedimento, pois podem conter amônia ou formol — produtos químicos muito perigosos para o bebê, que podem ser transferidos a ele por meio do leite materno. As tintas mais modernas, que já não contém este tipo de substâncias, e, portanto, podem ser utilizadas.

9. É proibido carregar peso no resguardo

Verdade! Principalmente no primeiro mês e até mesmo um tempo depois, o ideal é fazer força somente nos braços — procurando se sentar para pegar alguma coisa pesada — e agachar com as costas eretas para apanhar algo no chão, poupando a coluna que já está fragilizada pelo peso que carregou na gravidez.

Dica: Como deve ser a alimentação da mulher no período pós-parto?

10. A amamentação ajuda a voltar ao corpo de antes da gravidez

Verdade! A amamentação, ao contrário do que parece, não favorece somente o bebê: ela pode induzir a liberação de hormônios para que o útero retorne ao tamanho normal mais rapidamente, diminuindo a barriguinha!

Quando o bebê suga o seio, a glândula hipófise (localizada no cérebro) acaba sendo estimulada para produzir o hormônio ocitocina que, entre outras funções, ajuda a promover a redução do volume abdominal. Devido a esse processo, é normal sentir cólicas nas primeiras semanas do resguardo.

11. A mulher deve ingerir somente canja de galinha na quarentena

Mito! O prato é saudável e equilibrado, mas não precisa ser o único do cardápio neste período. Pelo contrário, é recomendada uma dieta equilibrada tanto para recuperar a forma física quanto para nutrir o bebê por meio da amamentação. Por isso, consuma muitos alimentos ricos em ferro e cálcio e muita carne vermelha. Laticínios também são bem-vindos, assim como muita água: é indicado que se tome de dois a três litros por dia, principalmente antes e depois de amamentar.

Maçã, pera e ameixa ajudam a prevenir e combater o intestino preso, outro problema comum na fase de resguardo, devido à compressão do útero no órgão. Também procure evitar refeições pesadas e gordurosas, além de alguns itens que podem provocar cólicas no bebê, como chocolate, café, refrigerantes, talo de alface, tomate e feijão.

12. Não é aconselhável dirigir neste período

Não é muito indicado dirigir no primeiro mês, pois isso pode atrapalhar a cicatrização da região entre o ânus e a vagina, chamada de períneo, principalmente se esse tiver sido submetido a uma episiotomia — pequeno corte para facilitar o parto normal. Caso a mulher não chegue a sentir incômodos nessa região, nos casos onde não houve episiotomia por exemplo, poderá dirigir a partir de duas a três semanas, após a avaliação do obstetra.

Esses são alguns dos mitos sobre resguardo que geram tantas preocupações para as recém-mamães. Esperamos que você tenha conseguido tirar todas as suas dúvidas e que possa ter um período tranquilo e sem preocupações desnecessárias. Lembramos também que o ideal é conversar com o seu médico para que todas as dúvidas que ainda existam sejam muito bem esclarecidas.

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Categorias: Gravidez , Tipos de parto / Pós parto

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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