Gravidez

O que é a placenta e qual a sua função?

Durante a gravidez não são apenas laços afetivos que ligam a mãe ao bebê: gestar também é uma interação física e biológica. E a placenta é um importante elemento dessa ligação. Mas você sabe o que é a placenta? Nesse texto, vamos explicar como ela é gerada e qual é o seu papel na gestação.

Afinal, o que é a placenta?

Pode parecer estranho à primeira vista, mas a placenta é um órgão! Esse órgão – materno-fetal, portanto exclusivo da gestação – tem como função principal produzir a comunicação ideal entre a mulher e o feto. Essa comunicação é de toda importância para a saúde e o desenvolvimento do bebê. 

Afinal, a principal função da placenta é realizar as trocas de substâncias (secreções, gases e nutrientes) entre a circulação da gestante e a circulação do feto. Ou seja, durante a gravidez ela atua como vários órgãos: intestino, pulmão, rim, fígado e glândulas adrenais. Assim, é pela placenta que o bebê recebe os principais nutrientes e substâncias para seu completo desenvolvimento.

Além disso, esse órgão também possui importante função endócrina: muitos dos hormônios que fazem parte da gravidez (como a progesterona, o estrógeno, a gonadotrofina coriônica e o hormônio lactogênio) são produzidos pela placenta.

Esse órgão começa a se desenvolver já nas primeiras semanas de gestação e até a 20ª semana já se encontra completamente formada. Seu crescimento, porém, continua acontecendo, a fim de prover todas as necessidades do feto.

Como a placenta é gerada?

Mas como ela é formada?

A placenta pode ser entendida como um órgão que se forma apenas durante o período gestacional. Ela é constituída basicamente pela junção de tecidos embrionários a tecidos maternos.

A formação da placenta é iniciada logo após uma etapa chamada de nidação, quando o ovo fertilizado se implanta na parede do útero, o que acontece cerca de 7 a 10 dias após a fertilização. Depois da nidação, a formação placentária se estende até o fim do primeiro trimestre da gestação.

Com base nesse ponto de ligação, a placenta começa a se desenvolver, formando pequenas saliências que, progressivamente, transformam-se em vasos sanguíneos, por onde se inicia o processo de troca de fluidos entre mãe e filho. Esses vasos posteriormente darão lugar ao cordão umbilical.

O processo de crescimento da placenta é rápido: no início do segundo trimestre estima-se que ela e o bebê já possuem o mesmo tamanho; no início do terceiro trimestre, entretanto, ela já tem um tamanho maior que o do próprio bebê! 

No final da gravidez, entretanto, com o desenvolvimento acelerado do feto, o bebê pesa cerca de 6 vezes mais que a placenta.

E qual a função da placenta?

Que a placenta é essencial no processo de gestação de um bebê, você já sabe. Mas quais são exatamente as funções que ela desempenha que fazem esse órgão tão especial assim?

A placenta possui duas funções principais: atuar como meio para troca de fluídos entre a mãe e o bebê e funcionar como uma camada protetora para o feto.

  • Meio para troca de fluidos entre mãe e bebê

O pequeno ser que cresce e se desenvolve na barriga da futura mãe durante as 40 semanas de gestação precisa se alimentar. Isso porque ele necessita obter nutrientes para que o seu crescimento ocorra adequadamente.

Mas não é só de alimento que esse ser precisa: ele também necessita de oxigênio, proteínas, glicose, anticorpos e hormônios. E é aí que entra a placenta.

É por meio dela que essas substâncias são transmitidas da mamãe para o bebê, mais especificamente do sangue materno para o sangue do embrião. Além disso, existe ainda a transmissão bebê-mãe: o gás carbônico e as excretas eliminadas pelo embrião são direcionadas para a mãe via placenta.

Resumindo: a placenta agrega simultaneamente várias funções, permitindo que o embrião realize trabalhos de alimentação, respiração e digestão. Já deu para perceber que ela funciona como um verdadeiro caminho por meio do qual ocorre troca de fluidos da mãe para o bebê e vice-versa, não é mesmo?

E é justamente pelo fato da placenta exercer um papel tão importante durante a gestação que problemas ocasionados nessa estrutura, como o descolamento, são ocorrências preocupantes e que requerem acompanhamento médico adequado. Falaremos mais dessas possíveis complicações placentárias no decorrer do texto.

  • Importante camada protetora para o bebê

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a placenta não envolve o bebê. Na verdade, o que envolve o bebê é a bolsa d’água. A bolsa d’água é uma membrana preenchida por líquido amniótico que acaba funcionando uma verdadeira “piscina”, e é ali que o bebê fica totalmente submerso.

Já a placenta, por sua vez, forma uma espécie de camada protetora – como se fosse um verdadeiro ninho – a partir da qual o embrião cresce e se desenvolve. 

Infelizmente, essa camada não consegue fornecer uma proteção completa: alguns tipos de vírus, como o da sífilis ou o da rubéola, e outros elementos, como medicamentos, álcool e tabaco conseguem transpor essa barreira chegando até o bebê.

Por isso mesmo, é indispensável que a gestante permaneça atenta a que tipo de medicamentos vai ingerir durante a gestação. Também é prudente, portanto, evitar o consumo de álcool e o fumo; afinal, algumas substâncias nocivas podem alcançar o bebê, ultrapassando a barreira da placenta.

Além de servir como proteção, essa camada produz ainda hormônios fundamentais para manutenção da gestação e preparação do corpo da mulher para as etapas de parto e amamentação, além de regular o metabolismo do embrião.

O que acontece com a placenta após o parto?

Independentemente do tipo de parto escolhido ou da idade da mulher, um parto resulta sempre na retirada do bebê e de todas as estruturas acessórias que se formam dentro do organismo feminino durante a gestação. Ou seja, nada fica sobrando.

Em partos normais, o próprio organismo feminino expulsa a placenta de seu interior, em um processo denominado de dequitação. Já em partos tipo cesárea, o médico faz uma intervenção para a retirada da placenta, em um procedimento que dura cerca de 5 a 30 minutos.

E o que acontece com a placenta após o trabalho do parto? Ela é simplesmente descartada? Na maioria das vezes, o destino final da placenta acaba mesmo sendo o descarte.

Apesar de ser uma espécie de tecido rico em hormônios, como progesterona e ocitocina, e ferro, essa estrutura não possui um uso ou destinação específicos. 

Diferentemente do sangue do cordão umbilical, por exemplo, que carrega consigo células-tronco que são muitas vezes armazenadas para um possível uso no combate de doenças, a placenta não possui outra função após finalizado o período do parto.

Em algumas culturas, as mães comem um pouco da placenta, imitando o que muitas espécies de animais fazem na natureza. Outras enterram-na. Outras, ainda, preferem guardar uma recordação do parto, preservando a placenta por meio da confecção de alguma peça ou artesanato com o material residual da placenta ou fazendo uma pintura.

Alterações na placenta

Como acontece com todos os órgãos, a placenta também está suscetível a passar por alguns problemas. E já que ela tem como função essencial sustentar o bebê durante a gestação, é preciso ficar atento a qualquer possível complicação com este órgão. 

Há algumas complicações placentárias que se originam por causa de doenças crônicas como a diabetes ou a hipertensão. Por outro lado, alguns problemas surgem em decorrência de doenças que são específicas da gravidez – como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia (a pressão alta gestacional) e a diabetes gestacional. 

Para diminuir a chance de adquirir essas enfermidades que afetam a placenta, alguns cuidados básicos podem e devem ser tomados: boa alimentação, prática de exercícios físicos leves e adequados à gestação, a não utilização de drogas como o fumo e o álcool e, claro, o acompanhamento pré natal.

As principais alterações ou complicações que podem surgir e afetar a placenta durante a gestação são as seguintes:

  • Placenta prévia: 

Ocorre quando a placenta se desloca para uma posição mais baixa, obstruindo o colo do útero de maneira parcial ou total. Quando isso acontece, o bebê possui dificuldade em passar pelo canal vaginal no momento do parto.

Costuma ocorrer a partir do terceiro trimestre de gestação e um dos Indicativos de que a placenta está prévia ou baixa são pequenos sangramentos (geralmente indolores) durante a gravidez. 

O diagnóstico é feito através do exame de ultrassom, onde o médico visualiza com precisão o local onde a placenta se encontra.

  • Descolamento de placenta:

O descolamento de placenta é um problema ligado diretamente ao fato de ela se desgrudar – de forma parcial ou total – da parede do útero de forma precoce (isto é, antes do parto). Como já sabemos, a função placentária é levar nutrientes e oxigênio ao feto. Caso a placenta se descole, essa função pode ficar severamente comprometida. 

Esse problema acontece com mais frequência depois da 20ª semana de gestação e o grupo de risco é preenchido por mulheres com hipertensão, que já tiveram um descolamento anteriormente, que possuem excesso de líquido amniótico, que são fumantes e aquelas que sofreram algum trauma forte na barriga. 

  • Placenta acreta ou acretismo:

No caso de placenta acreta, o órgão se fixa ao colo do útero de maneira anormal. O que acontece é que sua fixação é muito mais forte do que deveria, o que pode causar uma dificuldade na sua expulsão após o nascimento do bebê. A principal consequência da placenta acreta é a possibilidade de hemorragia após o parto.

O diagnóstico de placenta acreta pode ser obtido por ultrassom com doppler, a fim de identificar a intensidade do fluxo sanguíneo da região.

Como você pode concluir, a placenta desempenha um importante papel para o desenvolvimento embrionário, quer seja funcionando como meio para troca de fluidos entre mãe e bebê, quer seja servindo como camada protetora para o feto em desenvolvimento.

Assim, caso alguma intercorrência se observe durante o período gestacional e culmine em problemas na placenta, os pais já estarão cientes da importância dessa estrutura para o desenvolvimento do seu bebê e poderão enfrentar e resolver esse problema com mais consciência e tranquilidade.

Incrível como um órgão exclusivamente gestacional pode desempenhar um papel tão importante, não é mesmo? Desde nutrir, oxigenar e proteger o bebê até formar o cordão umbilical através dos seus vasos sanguíneos, a placenta é fundamental para uma gestação tranquila e saudável.

E para ter ainda mais tranquilidade, você pode escolher armazenar as células-tronco contidas no cordão umbilical (formado através da placenta)! Essas células-tronco que são colhidas durante o momento do parto podem servir, no futuro da sua família, como um tratamento adequado de diversas doenças.

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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