Células-Tronco

Diferenciação de células mesenquimais derivadas de cordão umbilical em células endometriais

Endométrio e gestação

Uma espessura endometrial adequada é fundamental para a implantação do embrião e sustentação da gestação e, por isso, danos ao endométrio podem levar a dificuldades para engravidar.

Tratamentos para lesões endometriais

Apesar da identificação de fatores que afetam o crescimento do endométrio, juntar poucos agentes que podem tratar lesões endometriais e terapia com células-tronco é uma estratégia inovadora e promissora, pois podem reparar os tecidos lesados através de:

  • Secreção de citocinas ou
  • Diferenciação no tipo de célula do local de lesão para exercer a sua função.

Células-tronco do tecido do cordão umbilical

As células-tronco mesenquimais da geleia de Wharton do cordão umbilical humano (WJ-MSCs) apresentam características ideais para o transplante de células e para a engenharia de tecidos:

  • Rápida proliferação;
  • Propriedades biológicas estáveis;
  • Baixa imunogenicidade;
  • Facilidade de isolamento em laboratório;
  • Secreção de um grande número de citocinas;
  • Ausência de efeitos tumorigênicos;
  • Maior capacidade de proliferação, diferenciação e migração que a obtida na medula óssea.

Estudos anteriores já mostraram que as WJ-MSCs têm a capacidade de se diferenciar em adipócitos, osteócitos, condrócitos, neurônios e oligodendrócitos.

Diferenciação de WJ-MSCS em células endometriais

Para esse estudo foram criados três grupos experimentais com culturas distintas com o objetivo de avaliar a diferenciação das células em função de diferentes estímulos.

GRUPO 1

Células derivadas de cordão umbilical cultivadas isoladamente.

GRUPO 2

Células derivadas de cordão umbilical e células endometriais normais obtidas de pacientes submetidas à histerectomia por motivos não relacionados a doenças de endométrio.

GRUPO 3

Células derivadas de cordão umbilical e células endometriais normais em meio de cultivo contendo estrógeno e fatores de crescimento epitelial e derivado de plaquetas.

Resultados

Após 21 dias de cultura, as células do terceiro grupo formaram uma massa, enquanto as células do grupo 2 apresentaram um padrão de crescimento irregular que diferiu do padrão de crescimento espiral observado no grupo 1.

Os marcadores de células de estroma VIM e CD13 estavam notavelmente elevados e os marcadores de células epiteliais CK19 e CD9 diminuíram. Além disso, as células expostas a uma concentração mais elevada de estrógenos tiveram a diferenciação acelerada em relação às demais, indicando que o efeito era dependente da dose.

Os resultados do cultivo dessas células sugerem que há necessidade da ação conjunta de fatores endógenos e exógenos (estrogênio e fatores de crescimento) para induzir a diferenciação das WJ-MSCs em células do tipo endometrial.

Conclusões

A diferenciação de MSCs em células de tipo estromal endometrial pode fornecer um novo método para tratar as lesões endometriais, bem como estabelecer uma menstruação fisiológica e possibilidade de gravidez na prática clínica.

Atualmente as WJ-MSCs são consideradas uma fonte ideal de células-tronco para tratamento clínico e aplicações de pesquisa científica e vários estudos demonstraram que, em condições específicas, elas podem se diferenciar nas células das três camadas embrionárias que funcionam em reparo ou regeneração de múltiplos tecidos.

O presente estudo é o primeiro a investigar a capacidade das WJ-MSCs em se diferenciar em células endometriais o os resultados favoráveis poderão fornecer uma abordagem promissora para o tratamento de lesões endometriais e outras doenças do endométrio, aumentando as possibilidades de aplicação das WJ-MSC na prática clínica.

Artigo original:

Diff erentiation of human umbilical cord Wharton’s jelly-derived mesenchymal stem cells into endometrial cells.

Qin Shi, JingWei Gao, Yao Jiang, Baolan Sun, Wei Lu, Min Su, Yunzhao Xu, Xiaoqing Yang and Yuquan Zhang. Stem Cell Research & Therapy (2017) 8:246 DOI 10.1186/s13287-017-0700-5.

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    Dra. Roberta Pasianotto Costa Trofo

    Dra. Roberta Pasianotto Costa Trofo

    (CRM 98.256/SP)
    Graduação em Medicina - Faculdade de Medicina de Jundiaí, 1999;
    Residência Médica em Clínica Médica e Patologia Clínica/Medicina Laboratorial na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP;
    Especialização em Hematologia e Hemoterapia na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP;
    Título de Especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial - SBPC.

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