Criança

Por que a escolha do nome do bebê é tão importante?

A escolha do nome do bebê é uma das primeiras grandes decisões que os pais tomarão para seu filho. Ela pode ser bastante simples para alguns, mas muito complicada para outros.

Há casais que já escolheram o nome antes mesmo da concepção e outros que ficam tão indecisos que preferem aguardar o nascimento para ver que carinha tem o bebê, para só então lhe dar um nome.

O nome é uma marca para a vida toda e pode simbolizar uma infinidade de coisas positivas, mas também trazer uma carga negativa e confusa para a criança em seus diferentes círculos sociais. Por isso, é importante levar em consideração uma série de fatores antes de decidir como nomear o bebê. Perguntas como: “meu filho se orgulharia desse nome?” ou “esse nome traz algum constrangimento?” devem ser feitas a cada opção.

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Para ajudar mamães e papais nessa tarefa linda da escolha do nome do bebê, reunimos uma série de dicas para se pensar antes de tomar a decisão. Trazemos também algumas informações e curiosidades sobre o tema. Confira!

Opte pelo simples

Na tentativa de deixar os nomes mais “sofisticados” ou dar eles uma aparência mais única, alguns casais cometem excessos, como duplicar o número de consoantes como l, k, y e w nos nomes dos filhos. É preciso cuidado com esse artifício, pois, acrescentar muitas letras pode tornar o nome longo demais ou mesmo fazer com que fique difícil de pronunciar.

Nomes simples são opções autênticas e que agradam uma boa parte das pessoas. Não é por acaso que os nomes mais populares no Brasil ainda são Maria e José. E, recentemente, nomes como Joaquim e Antônio têm voltado ao gosto dos pais por sua simplicidade e traços fortes.

Pense no uso cotidiano do nome da criança ao longo da vida

Antes de criar algo muito diferente para o seu filho, pense na dificuldade que ele terá para se apresentar e até mesmo para escrever o próprio nome no período de alfabetização.

É sempre bom pensar no uso cotidiano do nome da criança. Considere como pode ser irritante ter que soletrar letras duplicadas ou trocadas cada vez que alguém vai anotar o seu nome; ou como é frustrante encontrar com frequência sua identidade escrita com grafia incorreta porque é diferente demais do uso comum.

Pense com carinho e objetividade quando se sentir tentada a inovar demais no nome do seu filho. Por que, por exemplo, optar por Phillipe com “ph” e dois l, quando é possível simplesmente escrever Felipe?

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Cuidado com homenagens

Fazer homenagens e promessas é algo muito legítimo. No entanto, é preciso ter cuidado para não trazer constrangimentos futuros para a criança.

Antes de pensar em nomes com conotações religiosas ou que remetam a personagens históricos e literários, avalie o efeito da referência do nome ao imaginário coletivo. É bom evitar nomes que remetem a significados muito negativos, como Judas, por exemplo.

Também é preciso pensar muito antes de colocar o nome do pai, de avós ou tios no bebê. Cada um tem seu nome e sua personalidade. Nomes “herdados” podem trazer um peso a mais na formação de identidade da criança. Dê a seu filho a oportunidade de se reconhecer no próprio nome.

Tenha cuidado especial com homenagens a celebridades

Em 1994, nasceram muitos Romários, Bebetos e Tafareis. Foi o ano do tetracampeonato do Brasil na Copa do Mundo. Da mesma forma, no final da década de 1990, houve um grande crescimento de registros com o nome “Sasha”, “Saxa” ou “Sacha” em homenagem à apresentadora Xuxa, que escolheu esse nome para sua filha, nascida em 1998.

Alguns pais escolhem o nome da criança em homenagem a cantores, atores ou personalidades que admiram naquele momento e acabam esquecendo que um nome é para a vida toda. Também deixam de considerar que essa admiração pode não ser compartilhada pelo filho no futuro.

É muito importante que a escolha do nome não esteja ligada a tendências ou modismos, justamente por sua característica principal: elas passam. E quando isso acontece, a criança já cresceu e aquela escolha pode não fazer o menor sentido para ela ou pior, lhe trazer muitos constrangimentos.

Evite estrangeirismos

A criança precisa se identificar com o país em que nasceu e com os costumes em que está inserida. Por isso, é bom evitar os nomes estrangeiros.

Muitos nomes estrangeiros acabam ganhando uma roupagem local, mas é bom considerar que podem trazer dificuldades para a criança, como as que listamos quando falamos sobre o acréscimo de letras. Podem, ainda, se tornar fonte de zombarias se a grafia ficar muito aportuguesada.

Se a criança tiver pais de nacionalidades distintas, tente evitar os nomes que têm definição de gênero diferente em cada país. Por exemplo, Danielle é um nome masculino na Itália, mas no Brasil é feminino.

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Encontre um sentido para o nome do bebê

É claro que a escolha do nome do bebê é um gosto pessoal. Mas uma ótima dica na hora de escolher o nome da criança é considerar seu significado.

Ainda que os pais não tenham nenhum misticismo em relação a isso, invariavelmente em algum momento da vida, a criança terá a curiosidade de saber de onde veio o seu nome e por que ele foi escolhido. Isso faz parte da formação e reconhecimento de sua identidade.

Saber por que os pais escolheram um determinado nome, se havia outras opções, também faz parte da história da vida desse bebê.

É sempre bom que o nome carregue valores nos quais os pais acreditam ou que tenham uma memória afetiva, como o personagem de um livro ou uma pessoa querida.

Não é por acaso que os nomes bíblicos são muito usados e representam questões relevantes, que ajudam a fortalecer o valor do nome.

Teste a sonoridade e a compatibilidade do nome com o sobrenome

Outra questão que muitas vezes passa despercebida pelos pais é a sonoridade do nome com o sobrenome. Nomes que possam ficar cacofônicos ou sugerir brincadeiras que possam se tornar ofensivas devem ser evitados.

Fale o nome completo da criança em voz alta para testar a sonoridade e verificar se não há possibilidades de duplo sentido, como, por exemplo, “Theo Pinto” ou “Caio Chaves”.

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O que fazer quando a mãe e o pai discordam do nome a ser escolhido

Escolher o nome do bebê já não é tarefa das mais fáceis. Imagina quando há discordância do nome sugerido pelo pai e pela mãe.

O nome de uma criança, inevitavelmente, carrega os sonhos e esperanças de seus pais. E é preciso que o casal tente contemplar ao máximo as expectativas de cada um.

Para que a decisão não vire uma batalha, listem as opções de nomes que cada um deseja. Conversem sobre os motivos de cada escolha e tentem chegar a um acordo, sem pressa. Não há problemas se o nome do bebê só for decidido após o nascimento.

Se permanecer o impasse, uma boa dica é que ambos abram mão do nome que desejam e escolham juntos uma terceira opção.

Por que a escolha do nome do bebê é tão importante

Os bebês são capazes de reconhecerem o próprio nome a partir dos quatro meses, quando começam a se interessar pela sonoridade. Nessa idade, eles já são capazes de responder ao chamado do seu nome, virando a cabeça em direção à origem do som.

Uma pesquisa realizada pela UFMG relaciona a importância do reconhecimento do nome com o desenvolvimento da linguagem, audição e transtornos de desenvolvimento, como o autismo. A pesquisa foi realizada com bebês de seis e sete meses de vida.

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Curiosidades sobre nomes no Brasil

  • No Brasil, segundo o senso de 2010 do IBGE, há 130 mil nomes diferentes para os cerca de 200 milhões de habitantes. O órgão fez uma página especial sobre os nomes brasileiros, que você pode conferir aqui.
  • nome feminino mais comum é Maria, com 11,7 milhões de pessoas. O pico de registros aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, com mais de 2,4 milhões de crianças recebendo esse nome. Mas nasceram bem menos Marias nas décadas seguintes. No entanto, a partir de 1990 o nome voltou com força e em 2000 mais de 1,1 milhão de meninas foram assim chamadas.
  • nome masculino com o maior número de registros é José, com 5,7 milhões de pessoas. Mas desde a década de 1960, quando 1,2 milhões de meninos receberam esse nome, sua popularidade vem caindo. Em 2000, nasceram pouco mais de 350 mil Josés.
  • É possível mudar de nome no Brasil, mas apenas em casos específicos e por meio de processo judicial. A possibilidade de alteração do nome está prevista nas seguintes situações: erro de grafia, substituição por apelido público notório, quando há evidência de constrangimento pelo uso do nome, quando há homônimo, e em casos de mudança de sexo e adoção.
  • Pessoas que foram vítimas ou testemunhas de crimes também podem solicitar a alteração de nome para proteção pessoal.

A escolha do nome do bebê deve ser feita com calma e critério para corresponder à beleza e alegria da chegada do novo membro da família. O ideal é que seja uma escolha conjunta da mãe e do pai e que reflita o amor e o cuidado de ambos pela criança. Assim, não há como errar.

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    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    (CRM: 876879RJ)
    Graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá;
    Residência Médica em Pediatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Residência Médica em Endocrinologia Pediátrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Certificado de Atuação na Área de Endocrinologia Pediátrica (CAAEP)- RJ; Mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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