Criança

Como preparar o filho mais velho para a chegada do irmãozinho?

A chegada de um novo bebê é sempre um momento de mudanças e de um turbilhão de sentimentos para o filho mais velho. Insegurança, ciúmes e sensação de abandono são os mais comuns. Afinal, não é fácil dividir, de uma hora para a outra, a atenção e os cuidados que eram apenas seus.

O primogênito pode apresentar estágios de regressão, como parar de falar, fazer xixi na cama e voltar a usar mamadeira e chupeta. É importante que esse comportamento não seja visto com manha ou birra, pois não se trata de teimosia, mas de uma confusão afetiva da criança em relação ao seu lugar na família com a chegada do novo membro. Nesse momento, é necessário que os pais sejam compreensivos e tenham paciência.

Por outro lado, o ciúme não é de todo ruim, pois ele ensina o mais velho a lidar com frustrações e no futuro pode evoluir para uma competição saudável entre os irmãos, resultando em um desenvolvimento sadio para ambos.

Continue acompanhando o nosso artigo e saiba como atenuar tantas mudanças e preparar o filho mais velho para a chegada do seu novo irmão!

Deixe o filho mais velho participar da gestação

Envolva a criança nos preparativos para a chegada do novo bebê. Deixe que ela opine sobre a escolha do nome e dos itens do enxoval.

Sempre que possível leve a criança ao ultrassom para ver o irmãozinho. A convide para acariciar e beijar sua barriga. E também a falar com o bebê. Ela certamente vai gostar de saber que o irmão já pode ouvi-la. E assim, você já vai incentivando o carinho dela pelo bebê que está para chegar.

Leve a criança à maternidade

Após o parto é importante que alguém leve a criança na maternidade para que possa conhecer o irmãozinho e ver que a mamãe está bem. Dar a ela um presente, como se fosse oferecido pelo bebê que acabou de chegar, também ajuda a quebrar a resistência dela e a ver o irmão como um novo membro da família e não um intruso.

Tenha atenção com o mais velho durante as visitas ao recém-nascido

Observe se a criança não está entristecida ou encolhida em um canto durante as visitas ao recém-nascido. Ela também pode ter um mau comportamento para chamar a atenção para si.

Peça ajuda ao pai para acolhê-la e elogie como ela tem ajudado a cuidar do irmãozinho. Envolva a criança nas visitas para que ela não se sinta deixada de lado.

Converse com o filho mais velho sobre o lugar dele na família

Mesmo as crianças que pediram por um irmãozinho podem se decepcionar e se sentirem ameaçadas com a chegada do bebê.

O irmão mais velho imagina que vai ganhar um amigo para brincar. Mas ao invés disso, recebe um serzinho que chora muito e rouba a atenção de todos, especialmente dos pais.

Por isso, é importante dizer à criança o que é ser o irmão mais velho. Deixe claro que ela não perdeu seu lugar na família e que ganhou sim um grande amigo. Explique que o bebê ainda vai aprender a brincar e que você vai precisar de ajuda para cuidar dele. E que ela vai poder ensinar ao irmãozinho muitas coisas divertidas.

Evite mudanças bruscas na rotina do filho mais velho

Não faça grandes mudanças na rotina do filho mais velho logo após a chegada do bebê. A retirada de fraldas, mamadeira e chupeta deve acontecer ao menos seis meses antes do nascimento do caçula. Assim como a transferência da criança do berço para a cama. Dessa forma, ela não associa essas mudanças à perda de espaço e atenção para o irmão.

Se essas mudanças não forem feitas antes do bebê nascer, devem ser deixadas para bem depois, quando a criança já estiver mais segura e adaptada à presença do irmãozinho.

Essa recomendação também é válida para a matrícula da criança em uma escolinha. Se não foi possível o ingresso antes do fim da gravidez, o melhor é adiar por um tempo para que ela não sinta que está sendo afastada do convívio familiar e substituída pelo bebê.

Reserve um tempo para atividades com o filho mais velho

Mesmo que os primeiros dias do bebê em casa sejam muito cansativos, é importante reservar um tempo para dar atenção exclusiva ao filho mais velho. O papai, tios ou os avós podem levá-lo para passear. Longe do novo bebê ele poderá sentir que recebe o mesmo carinho de antes.

A mamãe também deve delegar alguns cuidados com o bebê para se dedicar ao filho mais velho. Pedir que alguém fique com o caçula enquanto dá colo para o primogênito fará com que ele perceba que a mãe continua a cuidar dele e não se dedica apenas ao novo membro da família.

Preserve a privacidade do filho mais velho

Mesmo que a criança vá dividir o quarto com o irmãozinho, é preciso preservar sua privacidade. Converse com ela antes de alterar a decoração do quarto para o novo bebê. Conte como será legal dividir o espaço com o irmão e como ele terá sempre companhia para dormir.

Nos primeiros dias do bebê em casa, o melhor é que o caçula fique no quarto dos pais. Como o bebê acorda e chora muito nas primeiras noites, ele pode atrapalhar o sono do mais velho, que ficará cansado e irritado no dia seguinte, demandando ainda mais atenção.

Incentive o filho mais velho a participar dos cuidados com o bebê

Participar dos cuidados com o bebê reduz o sentimento de deslocamento da criança mais velha. Deixá-la pegar a fralda, escolher uma roupinha ou mesmo calçar a meia no irmãozinho fará com que ela se veja participando das mudanças na rotina da família. Ela também percebe seu novo papel no arranjo familiar.

Mostre à criança que ser o irmão mais velho é motivo de orgulho

Faça valer a ideia de que ser o irmão mais velho é algo positivo. Elogie cada progresso conquistado, mostrando à criança que o fato de ser mais velha é legal e traz grandes vantagens, como conseguir maior autonomia para fazer algumas coisas que antes só fazia com o auxílio dos pais.

Seja compreensiva, mas com firmeza

Não diga à criança que ela está sendo má, se ela se recusar a tocar no irmãozinho ou se disser que não gosta dele. O ciúme é absolutamente normal. A criança está insegura e confusa. O melhor a fazer é acolhê-la com carinho para que ela retome sua confiança e aceite o irmão como um companheiro.

No entanto, é preciso deixar claro que agressões ao bebê não serão toleradas. Seja doce, mas com firmeza. Não hesite em deixar a criança de castigo se ela passar dos limites. Explique a ela porque está sendo censurada, deixando claro que foi sua má ação, e não ela, que foi rejeitada.

Corrija sem agressões

Dar palmadas não é solução para corrigir maus comportamentos causados pelo sentimento de ciúmes.

As palmadinhas como castigo podem desencadear ou mesmo agravar o sentimento de rejeição da criança, transformando sua dor emocional também em dor física. Isso pode levá-la a descontar suas frustrações no irmão mais novo, reproduzindo a agressão sofrida.

Faça com que eles se sintam igualmente amados

Sempre que o bebê for presenteado, dê algo também ao filho mais velho. Pode ser uma fita, um doce, algo simbólico que permita que as crianças sejam presenteadas ao mesmo tempo, demonstrando que ambos recebem o mesmo afeto.

Isso fará com que a criança mais velha não se sinta deixada de lado e evitará que ela haja como um bebê sempre que se sentir ameaçada e quiser chamar a atenção.

Além disso, ela verá que, apesar das mudanças, não perdeu seu espaço e que ainda é amada e tão importante para a família quanto seu irmão mais novo.

Estimule o melhor da fraternidade

É imprescindível que a criança tenha participação nos cuidados e na diversão com o novo irmãozinho. Deixá-la ajudar em certos momentos, tais como o banho, a troca de fraldas e na alimentação, fará com que ela se sinta necessária, útil e integrante da equipe familiar.

Estimular a interação entre os irmãos vai fortalecer seus laços afetivos. Convide o irmão mais velho a contar estórias para o irmãozinho, ler, dizer como foi o seu dia na escola ou na casa dos avós. Quando o bebê começar a sorrir e a gaguejar, mostre ao mais velho como o pequenino gosta dele.

Deixe que o maior segure o menor, com a ajuda e supervisão de um adulto sempre. E explique a ele que os dois vão ser grandes amigos.

Mostre ao maior que você entende os sentimentos dele

Algumas crianças podem não demonstrar logo de cara seus incômodos com a chegada do bebê – especialmente as mais velhas. Mas essa adaptação afeta a todas, algumas por mais outras por menos tempo.

Essa pode ser uma fase complicada e que vai demandar muita paciência e compreensão para que a experiência não seja negativa e traumática para a criança mais velha.

Mostre a ela que você entende e respeita o que ela está sentindo. Frases como: “é difícil ser o irmão mais velho” ou “ter um bebê em casa muda muita coisa”, mostra que você a compreende e se importa com ela. E é disso que ela precisa nesse momento de grande insegurança.

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    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    (CRM: 876879RJ)
    Graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá;
    Residência Médica em Pediatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Residência Médica em Endocrinologia Pediátrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Certificado de Atuação na Área de Endocrinologia Pediátrica (CAAEP)- RJ; Mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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