Gravidez

Placenta Acreta: diagnósticos, riscos e tratamento

A placenta acreta (ou acretismo placentário) é uma condição em que a formação da placenta ultrapassa os limites esperados dentro do útero, fixando-se profundamente na parede uterina. Nos casos mais graves, acomete a parede abdominal e, assim, chega a outros órgãos adjacentes, como bexiga e intestinos, trazendo riscos para a saúde da mamãe e do bebê. Potencialmente grave, essa intercorrência não é tão comum, mas também não chega a ser rara, em uma proporção de 150 casos para cada 1 mil gestações, segundo um estudo feito por pesquisadores do departamento de obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP).

Neste artigo, vamos explicar por que a placenta acreta ocorre, como são feitos o diagnóstico e o tratamento e quais os cuidados a gestante deve ter até o momento do parto.

Confira!

Tipos de placenta acreta

O útero possui uma parte mais interna, chamada de decídua. Esse tecido é formado por duas camadas, uma mais esponjosa e externa e outra mais profunda e compacta. Tal formação é o que facilita o desprendimento da placenta após o nascimento do bebê. Esse processo de expulsão é chamado de dequitação. Após a saída do bebê, é importante que toda a placenta seja retirada, para evitar infecções e hemorragias no pós-parto.

A camada esponjosa da decídua é semelhante a um rendilhado, sendo constituída por um tecido frouxo, que facilita a separação natural da placenta da parede uterina após o parto.

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No acretismo placentário, a placenta se insere muito profundamente na decídua, dificultando essa separação, podendo inclusive ultrapassá-la. Quanto mais ela adentra o útero e o abdômen, mais grave é a doença.

Essa patologia é classificada em três formas distintas, de acordo com a extensão de sua ocorrência:

  • acreta — a placenta se insere profundamente na decídua;
  • increta — a placenta ultrapassa a decídua e chega à musculatura uterina;
  • percreta — a placenta ultrapassa a musculatura do útero, podendo comprometer órgãos vizinhos.

Sintomas de placenta acreta

A maioria das gestantes não apresenta sinais desse quadro, por isso, é muito importante que se faça corretamente o pré-natal, para que a condição seja logo diagnosticada e devidamente acompanhada. Em alguns casos, podem aparecer pequenos sangramentos vaginais indolores e sem motivos durante a gravidez.

Causas do acretismo placentário

A patologia está muito relacionada à placenta prévia — condição em que a placenta se fixa muito abaixo do local esperado no útero. Algumas questões de saúde da mulher também podem levar ao desenvolvimento do acretismo placentário. Gestantes que já tiverem algum problema no útero têm maior risco de desenvolver o problema. Nos casos de placenta prévia, a proporção de acretismo placentário chega a 19,2%, ou seja, de cada 100 gestações pesquisadas, ao menos 19 apresentaram acretismo placentário, segundo os pesquisadores da USP.

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Conheça as principais causas do problema:

  • pré-existência de cicatrizes no útero — quanto maior for o número de cesárias anteriores, maiores serão os riscos de a gestante ter o problema;
  • idade avançada;
  • mulheres que passaram anteriormente por cirurgias uterinas ou curetagens (raspagem do útero após um aborto) também têm risco aumentado para a patologia;
  • tabagismo;
  • multiparidade (mulheres que engravidaram diversas vezes);
  • situação com grande volume placentário (gravidez gemelar por exemplo);

Como é feito o diagnóstico

Nem sempre é fácil perceber a ocorrência da placenta acreta antes do parto, especialmente por ser uma condição que geralmente não apresenta sintomas. O diagnóstico só é possível por meio de exames de imagem, como ultrassonografia e complementado com a ressonância magnética, quando o médico suspeita do problema. Por isso, é imprescindível que as gestantes tenham acesso aos exames de pré-natal e ultrassom básicos, para que a condição possa ser identificada o quanto antes.

Formas de tratamento

Não existe tratamento clínico prévio para a placenta acreta, no entanto, o seu diagnóstico precoce é essencial para que o obstetra planeje o parto sabendo da condição e possa atender a mamãe e o bebê com riscos reduzidos de complicações.

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Riscos da placenta acreta

O grande problema da placenta acreta é o desconhecimento de sua existência antes do parto, pois, como há riscos de hemorragia, é preciso que o hospital onde o parto será feito tenha UTI, banco de sangue e uma equipe completa e experiente para fazer um parto que requer mais atenção.

Há casos em que a placenta acreta é contornada mais facilmente, com sua separação do útero sem complicações significativas. Porém, dependendo da aderência, pode ocorrer forte hemorragia, colocando a vida da mulher em perigo. Em alguns casos, é necessário retirar o útero (histerectomia).

Para o bebê, os riscos são de nascimento prematuro, com a necessidade de realização de uma cesariana de emergência.

Cuidados após o diagnóstico

A gestante que recebe o diagnóstico de placenta acreta não deve fazer grandes esforços durante a gestação. Se não houver sintomas, ela pode continuar com sua rotina normalmente, até o dia do parto. Porém, se aparecerem sangramentos ou outros sinais agravantes, o obstetra pode recomendar o repouso ou a internação hospitalar e, se necessário, o parto será adiantado.

É importante que a gestante mantenha uma boa alimentação e faça complemento de ferro, preparando-se para uma possível perda de sangue após o parto.

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Possibilidade de uma nova gravidez após um episódio de placenta acreta

Uma mulher que teve placenta acreta em uma gestação anterior e deseja engravidar novamente deve passar por uma avaliação bem planejada antes de tentar uma nova gravidez. É importante que ela faça um exame de histeroscopia diagnóstica para avaliar as condições do endométrio, pois há risco de ela desenvolver novamente o acretismo placentário.

Se não houver grandes cicatrizes no útero e o endométrio estiver bem refeito, a mulher pode engravidar, mas deve fazer um acompanhamento pré-natal mais rigoroso.

A placenta acreta não apresenta nenhum sinal de aviso prévio. Embora mulheres que tiveram algum problema no útero, antes de uma gestação, possam ter mais chances de desenvolver a doença, ela também ocorre em pessoas que nunca apresentaram queixas ou intercorrências.

O parto por cesárea é um dos principais agravantes— no já mencionado estudo, os dados dos pesquisadores da USP indicaram que pacientes com 2 ou mais cesáreas têm um risco 3 vezes maior de desenvolverem placenta acreta. Por isso, é importante que o parto cesárea seja feito apenas quando realmente é necessário e com condições clínicas claras. No entanto, é sempre bom dizer, a escolha do tipo de parto é um direito da mulher e é essencial que essa decisão seja tomada em conjunto com o obstetra e com base em todas as informações que a gestante necessita para entender os riscos e benefícios de cada procedimento.

Quer saber mais sobre quando a cesárea é indicada? Então, leia também o nosso artigo: “Parto cesariana: saiba como é feito e em que situações ele é indicado”!

Categorias: Gravidez , Saúde na gravidez

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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