Gravidez

Gravidez de gêmeos: 9 cuidados que a mãe deve ter na gestação

A confirmação de uma gravidez, principalmente se é a primeira, costuma vir acompanhada de muita alegria e, claro, de várias dúvidas. Quando os exames confirmam uma gravidez de gêmeos, certamente, essas dúvidas se multiplicam!

Por isso, se você recebeu a notícia de que vai ser mamãe de dois (ou mais!) bebês, mas não tem a menor ideia do que esperar e de quais cuidados tomar, saiba que você não está sozinha. A maior parte das mães de gêmeos também passaram por esse mesmo sentimento. No entanto, a notícia boa é que elas aprenderam rapidamente!

Para iniciar esse processo de aprendizado, reunimos aqui informações que vão ajudar você a viver a sua gravidez múltipla com mais tranquilidade. Venha conferir!

Cuidados na gravidez de gêmeos

A natureza preparou o ser humano para gerar um bebê de cada vez. Então, mais de um bebê no ventre, geralmente, significa sobrecarga para o organismo da mulher.

Por esse motivo, além dos cuidados comuns à gestação de apenas um feto, é indispensável que a mulher esteja ciente dos cuidados extras a serem tomados durante toda a sua gestação múltipla, tais como:

1. Não perder nenhuma consulta do pré-natal

Sem dúvida alguma, a gravidez de gêmeos é uma benção em dose dupla! Mas ela também pode representar um risco maior, tanto para a mamãe quanto para os bebês, quando comparada à gravidez de um feto só, mesmo para as mulheres com boas condições de saúde.

Grávidas de gêmeos têm maior chance de aborto espontâneo, de ter parto prematuro ou a termo e de desenvolver diabetes gestacional ou pré-eclâmpsia, quadro clínico caracterizado por hipertensão, proteinúria — que é a grande perda de proteínas pela urina — e por um inchaço generalizado, principalmente no rosto e nas mãos.

Por isso mesmo, a gestante deve ter um pré-natal ainda mais cuidadoso, principalmente se os bebês forem univitelinos, que compartilham uma única placenta. Consequentemente, será necessário fazer um monitoramento mais frequente, com um maior número de consultas com o obstetra de confiança.

Assim, enquanto na gravidez única — de um só bebê — as consultas são realizadas a cada quatro semanas, na gravidez de gêmeos, elas costumam acontecer em intervalos de duas semanas. A partir do 3º trimestre de gestação, as consultas passam a ser semanais.

Além da frequência das consultas, o obstetra também solicitará uma maior quantidade de exames pré-natais — como o de urina e os diferentes tipos de ultrassom —, a fim de melhor acompanhar o desenvolvimento de seus bebês. No final da gestação, os exames serão ainda mais frequentes, com o objetivo de se detectar a possibilidade de parto prematuro.

Com esse monitoramento mais cauteloso, é possível ter uma gestação mais tranquila e diminuir a possibilidade de intercorrências durante o parto.

2. Preparar-se para o desconforto dobrado

Assim como a alegria dobrada, a gravidez de gêmeos costuma vir acompanhada pelo dobro de desconfortos. Nesse cenário, é muito comum que a mulher experimente os sintomas desagradáveis da gravidez com uma frequência e intensidade aumentadas.

Então, é fundamental que ela tenha paciência redobrada e que siga as recomendações do obstetra à risca, tornando esse período mais tranquilo.

Enjoos matinais

As grávidas de gêmeos se queixam bastante dos enjoos matinais, que são causados pelos altos níveis hormonais, especialmente do estrogênio, da progesterona e do HCG.

Sabe-se que o HCG apresenta níveis ainda mais elevados na gravidez de gêmeos, o que pode aumentar o desconforto causado por náuseas e vômitos nos primeiros três meses. Mas, normalmente, esses enjoos começam a diminuir entre a 12ª e a 14ª semanas de gestação, mesmo na gravidez gemelar.

Para lidar com os enjoos, o ideal é apostar em uma alimentação fracionada: feita de três em três horas, com pequenas porções a cada vez. Outra dica é alimentar-se mais vagarosamente e evitar a ingestão de alimentos muito quentes e com cheiro muito forte.

Ganho de peso

Quanto ao peso, é normal que uma grávida de gêmeos ganhe mais alguns números na balança, podendo engordar pelo menos 15 quilos no período de sua gravidez múltipla.

Dessa forma, é preciso que ela tenha uma atenção dobrada, isso porque o excesso de peso pode aumentar o risco de hipertensão, de diabetes gestacional, do parto prematuro e elevar a sobrecarga dos músculos, dos ossos e dos ligamentos.

A alimentação balanceada e equilibrada, somada a prática orientada de exercícios físicos pode ajudar no controle do ganho de peso.

Outros sintomas comuns

Além dos enjoos matinais e do ganho de peso, a gestante costuma queixar-se bastante das dores nas costas, das dificuldades para dormir, dos gases, da azia, da má digestão, da prisão de ventre, do cansaço, da irritabilidade e da sensibilidade emocional.

Grande parte desses sintomas podem ser explicados tanto pelas mudanças nos níveis hormonais quanto pelo aumento acentuado da barriga — especialmente com o avançar da gestação e a chegada à reta final desse período.

3. Caprichar na alimentação

Assim como para as outras grávidas, uma alimentação saudável e balanceada também é indispensável para a gravidez de gêmeos. Não é preciso comer em excesso, mas sim comer bem para que a mamãe e os seus bebês recebam todos os nutrientes que necessitam, evitando prejuízos para a saúde de ambos.

Aporte calórico

A quantidade de calorias que a gestante precisa ingerir diariamente varia de uma mulher para a outra e vai depender das suas características clínicas, físicas e metabólicas. Geralmente, esse aporte calórico gira em torno de 1800 a 2800 calorias diárias — com o acréscimo de 200 a 300 calorias em relação ao que era ingerido antes da gravidez.

O aporte adequado de calorias é essencial para que a placenta se desenvolva adequadamente e exerça todas as suas funções, como a sustentação, a proteção e a nutrição do bebê.

Refeições intervaladas e equilibradas

Como já salientado, o ideal é que as refeições sejam feitas em pequenas porções, com intervalos de duas ou três horas. Assim, é possível evitar a ocorrência de azia, picos altos ou baixos de glicose, refluxo, enjoos e vômitos.

Além disso, as refeições devem ser bem equilibras e incluir alimentos dos quatro grupos principais:

  • Frutas, vegetais e cereais integrais: deve haver a ingestão de pelo menos cinco porções por dia, visto que eles são importantes para a visão e para o sistema imunológico, previnem edemas e são fonte de vitaminas, minerais e fibras, essas últimas indispensáveis para evitar a constipação;
  • Carboidratos: os carboidratos são a principal fonte de energia do nosso corpo e, por isso, são indispensáveis à saúde, o que não é diferente na gravidez. Entre os alimentos ricos em carboidratos podem ser citados a batata, o arroz, as massas, o pão, a mandioca, a cenoura e a beterraba;
  • Proteínas: presente na carne — boi, porco e frango —, peixes, ovos, feijão e nas nozes, é responsável pela formação da maior parte dos tecidos do corpo e fundamental para a saúde do sistema nervoso e das células;
  • Leite e derivados, como os queijos e os iogurtes integrais: importante fonte de cálcio, essencial para uma placenta saudável e para o bom desenvolvimento dos ossos e dos dentes dos bebês.

Outros nutrientes importantes

Outro nutriente importante durante a gravidez é o ácido fólico, presente no fígado de galinha ou de peru, no feijão e na lentilha. O ácido fólico é fundamental para o desenvolvimento adequado do sistema nervoso dos bebês e previne contra a má-formação e alguns tipos de doenças graves, como a anencefalia.

Os alimentos ricos em ômega-3 — salmão, sardinha, atum, chia, linhaça e nozes — também ajudam no desenvolvimento do cérebro do feto.

Por causa da presença de dois bebês, a mulher costuma apresentar índices mais altos de anemia, especialmente a partir do 5º mês de gestação, quando os sistemas circulatórios dos fetos começam a funcionar a todo vapor.

Por isso, é indispensável que a grávida aumente a ingestão de alimentos fonte desse nutriente, o que é o caso das carnes vermelhas, dos vegetais verdes-escuros — brócolis e couve, por exemplo — da castanha de caju, da lentilha, da ervilha, entre outros.

A gestante também não deve se esquecer de ingerir muita água, pois a desidratação pode desencadear contrações e o parto prematuro.

4. Descansar bastante

Principalmente no caso de gravidez de gêmeos, em que a fadiga, a sonolência e as dificuldades para dormir estão presentes em maior intensidade do que nas gestantes de um bebê só, a mulher deve descansar bem.

Assim, é preciso simplifique a rotina diária, pedir ajuda à família para cuidar da casa e, se houver, das outras crianças. O descanso deverá ser prioridade, pois o trabalho será dobrado quando os bebês chegarem.

No final da gravidez, o repouso se torna ainda mais importante para evitar parto prematuro, o que é muito comum em casos de gravidez de gêmeos. Se você trabalha, sair de licença-maternidade mais cedo vale muito a pena!

5. Praticar atividades físicas com moderação

Exercícios físicos são ótimos para manter a musculatura forte e flexível, além de diminuir os desconfortos durante a gravidez, aliviar os inchados, controlar o ganho de peso e ajudar a futura mamãe a recuperar a boa forma depois do parto.

No entanto, é preciso prestar muita atenção na intensidade das atividades físicas praticadas, as quais devem ser sempre orientadas por um profissional habilitado. Exercícios de alto impacto podem sobrecarregar ainda mais as articulações e favorecer o parto prematuro, em especial na gravidez de gêmeos em que a mulher tem um ganho de peso mais acentuado.

Por isso, os exercícios mais recomendados são o yoga, a hidroginástica e as caminhadas, que, além de exercitar, ajudam a relaxar e a diminuir a ansiedade.

As grávidas devem observar certos sinais de alarme ao praticar atividades físicas, tais como tonturas, palpitações, dores nas costas ou na região pélvica, náuseas, mudanças súbitas de temperatura e inchaços. A ajuda médica deve ser procurada imediatamente em caso de visão turva, dores na panturrilha, desmaio, dor abdominal ou hemorragia vaginal.

6. Cuidados com possíveis complicações

Uma gravidez em si já é uma situação que envolve certos riscos e, quando é de gêmeos, tais riscos aumentam ainda. Por isso, será necessário um controle ainda mais rígido da saúde de ambos, mamãe e bebê, a fim de evitar as complicações e passar por uma gestação e um parto sem intercorrências.

Como o risco de ocorrência de diabetes gestacional é maior, o qual pode, futuramente, evoluir para diabetes do tipo 2, o obstetra mantém um monitoramento constante do nível glicêmico durante toda a gestação e, normalmente, indica um acompanhamento nutricional.

Outro risco aumentado na gravidez de gêmeos é a pressão alta, que pode levar à pré-eclâmpsia. Exames laboratoriais mais frequentes mostrarão se há presença de proteína na urina, e você deve relatar imediatamente ao médico se perceber inchaço nos pés, pernas e mãos, pois esses podem ser sintomas dessa complicação gestacional.

Ainda para evitar a instalação da hipertensão, a gestante deverá aferir regularmente a sua pressão e controlar o consumo de sódio e de água — cerca de 2 a 3 litros por dia.

7. Ficar atenta a perdas de sangue

Sangramentos leves são normais durante sua gestação de gêmeos, mas sempre merecem atenção. Durante o primeiro trimestre, podem indicar um princípio de abortamento espontâneo, o que é mais comum em gestações múltiplas. Esteja atenta a sangramentos com coágulos.

Procure ajuda médica imediatamente, mesmo que não seja um princípio de abortamento, o obstetra sempre deve ser informado.

8. Não se assuste se os bebês chegarem mais cedo

A maioria das grávidas de gêmeos entra em trabalho de parto por volta da 36ª ou 37ª semana, e não da 40ª, como acontece em uma gravidez de um bebê só. Normalmente, não há motivo para preocupações se o tempo de gestação passou das 34 semanas, mas prematuros sempre requerem maiores cuidados.

Uma das consequências do nascimento prematuro pode ser o baixo peso — fator que pode levar a outros problemas de saúde —, além de malformações respiratórias e cardiovasculares que, inclusive, podem colocar a vida do bebê em risco.

Para evitar esses riscos, alguns obstetras costumam prescrever medicamentos que ajudam a manter a gestação a partir da 28ª semana e a recomendar o repouso.

Também é preciso que a gestante saiba recomendar os sinais de trabalho de parto, como as contrações ritmadas, com dor, duração e frequência crescente, o sangramento e a perda intensa de líquidos pelo canal vaginal. Nesses casos, o atendimento médico deve ser buscado com urgência.

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9. Esteja preparada para uma cesariana

A possibilidade de um parto por cesariana é bem alta no caso de gestação gemelar. Isso não quer dizer que você não pode ter um parto normal, caso os bebês estejam posicionados de cabeça para baixo, mas essa situação não é muito frequente. O mais provável é que seus bebês estejam na posição sentada, o que torna difícil o parto normal. Seu obstetra saberá qual é o tipo de parto mais seguro para você e seus filhinhos.

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Categorias: Gravidez , Saúde na gravidez

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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