Gravidez

Eclâmpsia: entenda o que é e como tratar

A gravidez é um período peculiar para o corpo da mulher, visto que ele passa por diversas modificações para permitir que o bebê cresça de forma adequada e saudável. No entanto, essas alterações fisiológicas também favorecem a ocorrência de diversas complicações, tais como a eclâmpsia — uma doença gravíssima relacionada à pressão sanguínea elevada e que pode ser fatal.

Nem todas as gestantes sabem, mas o que torna a condição perigosa é o fato de que, em muitos casos, essa condição se desenvolve silenciosamente, sendo tardiamente detectada. Daí a importância da realização do acompanhamento pré-natal.

Pensando nisso, trouxemos informações valiosas sobre o assunto, para que você possa se prevenir e identificar os primeiros sinais desse problema tão grave da gestação. Continue a leitura e saiba mais!

Afinal, o que é eclâmpsia?

Você já ouviu falar na eclâmpsia? Se não, este é o momento de conhecer melhor sobre essa complicação de saúde. A condição aparece na gravidez e é conhecida por apresentar episódios de convulsões, que podem ser seguidos por coma e até mesmo a morte — principalmente se não for tratada rapidamente.

Embora o problema possa surgir em qualquer momento após a vigésima semana de gestação, é mais comum nos últimos 3 meses, durante o parto ou, até mesmo, no período pós-parto.

A eclâmpsia é considerada uma doença grave capaz de colocar a vida da mãe e de seu bebê em risco. Por conta disso, é caracterizada como uma emergência médica, devendo ser prontamente controlada e tratada.

Infelizmente, a complicação afeta aproximadamente uma a cada 3 mil gestações. Qualquer mulher grávida está sujeita a desenvolver essa condição, até mesmo aquelas que não possuem histórico familiar, que nunca tiveram convulsão ou qualquer outra doença neurológica.

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Quais são as suas causas?

A eclâmpsia ocorre devido a uma evolução ou uma complicação da chamada pré-eclâmpsia. Essa última é caracterizada por um quadro de pressão arterial elevada (hipertensão), associada à excreção de proteína na urina, diminuição do débito urinário, insuficiência hepática e rápido ganho de peso corporal.

Com a piora da hipertensão, o problema se agrava e afeta o cérebro, causando a encefalopatia hipertensiva. Nesse momento, ocorrem as convulsões e a condição passa a ser chamada de eclâmpsia.

Vale lembrar que nem todos os casos de pré-eclâmpsia evoluem para a eclâmpsia. Apesar de variarem no grau de gravidade, ambas as doenças são consideradas desordens hipertensivas da gestação, visto que ocorrem em função da elevação da pressão arterial.

Existem diferentes tipos de pré-eclâmpsia: de leve ao quadro mais grave. A seguir, explicamos melhor sobre cada uma delas:

  • pré-eclâmpsia leve: ocorre quando a pressão arterial permanece em níveis maiores ou iguais a 140X90 mmHg e há uma concentração de proteína na urina maior ou igual a 300 mg/24h, fazendo com que o líquido expelido tenha um aspecto espumoso;
  • pré-eclâmpsia causada pela hipertensão crônica: acontece quando a gestante já apresentava um quadro de hipertensão arterial anterior à gestação. A condição é acompanhada por inchaço em todo o corpo e aumento de proteína na urina;
  • pré-eclâmpsia grave: ocorre quando a pressão arterial permanece em níveis maiores ou iguais a 160X 110 mmHg. Também é possível identificar grande concentração de proteína na urina (>5g/24h), redução do volume urinário, dor na região abdominal e distúrbios visuais.

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Fatores de risco para a pré-eclâmpsia

Atualmente, as causas exatas da doença ainda são desconhecidas. Alguns especialistas acreditam que o problema tenha início na placenta — o órgão responsável por nutrir o feto ao longo da gestação.

No começo da gravidez, novos vasinhos sanguíneos são desenvolvidos pelo organismo para enviar, de forma eficaz, o sangue para a placenta. Nas futuras mamães com pré-eclâmpsia, tais vasos não se desenvolvem da maneira adequada, sendo mais estreitos do que o ideal. Como consequência, eles reagem diferente, prejudicando assim, o fluxo de sangue.

De qualquer modo, existem alguns fatores que aumentam as chances da mulher desenvolver a eclâmpsia, tais como:

Um aviso: caso a mulher tenha sofrido uma pré-eclâmpsia durante a primeira gravidez, existe um aumento do risco para que o problema se repita na segunda gestação. Dito isto, se você passou por essa complicação antes, é fundamental alertar o seu médico para que seja realizado um tratamento preventivo e apropriado.

Sintomas da pré-eclâmpsia

Verdade seja dita: nem sempre a hipertensão é notada pela gestante. No entanto, quando os sintomas aparecem, a pressão já pode estar elevada a ponto de ser extremamente nociva para a gravidez. Os sintomas da pré-eclâmpsia incluem:

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Após o parto

Caso a mamãe receba alta do hospital e, mesmo assim, continue sentindo os sintomas característicos da pré-eclâmpsia, é importante se dirigir ao pronto-socorro o mais rápido possível.

Esses sinais podem aparecer em até 3 meses após o nascimento do bebê e, normalmente, é necessário dar continuidade ao tratamento com remédios para controlar a hipertensão. No período pós-parto, os sintomas típicos dessa condição são:

Quais são os sintomas da eclâmpsia?

A principal manifestação da eclâmpsia é a ocorrência de convulsões. Porém, há outros sintomas que também podem estar presentes, como:

  • intensa dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • dores de estômago;
  • agitação;
  • alterações visuais;
  • perda de consciência;
  • sangramento vaginal.

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Como prevenir a eclâmpsia?

Para prevenir a ocorrência da eclâmpsia, todas as gestantes devem ser monitoradas ao longo do pré-natal e nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Esse monitoramento inclui a checagem periódica da pressão arterial e a realização de exames para avaliar a concentração de proteína urinária.

Se a pré-eclâmpsia for detectada em algum momento da gestação, devem ser adotadas medidas para o controle da pressão, como:

Além disso, é preciso realizar exames para verificar a condição clínica do bebê, como o ultrassom e a aferição da frequência cardíaca da criança. A partir daí, é feito um acompanhamento mais intenso da gestação até que o bebê nasça.

Nos casos severos, é necessário que o parto seja imediatamente realizado, a fim de prevenir a evolução para a eclâmpsia. Vale lembrar que, sob tais circunstâncias, optar por dar continuidade à gestação pode colocar a vida da mulher e do bebê em risco.

Qual é o tratamento da eclâmpsia?

Como já mencionamos, a eclâmpsia é uma emergência médica e deve ser prontamente tratada. Normalmente, é exigida a hospitalização da paciente para o monitoramento intensivo da gravidez.

O parto é o método mais eficaz para curar a doença. No caso de mulheres que desenvolvem o problema, o médico pode optar por antecipar o nascimento do bebê, conforme as condições da sua gravidez. Os partos prematuros são indicados para gestantes que estão entre a 32ª e 36ª semana de gestação, principalmente, se a medicação não estiver funcionando e os sintomas sinalizarem que a mãe ou o bebê correm risco de vida.

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Medicamentos especiais

Em determinadas situações, o médico responsável pode indicar o uso de alguns medicamentos. Inclusive, se a gestante apresentar quadros de pressão alta, é possível que o especialista prescreva um remédio específico para tratá-la.

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Mudança de hábitos

Não tem jeito! Toda e qualquer gestante que apresente sintomas de eclâmpsia, precisará fazer mudanças rigorosas nos seus hábitos diários. Dentre os mais comuns, podemos citar:

  • consumir pouca quantidade de sódio;
  • manter o peso dentro da média para o seu tipo físico;
  • priorizar as boas noites de sono;
  • ingerir muita água;
  • praticar caminhadas ou exercícios leves com frequência.

De acordo com a gravidade da doença, também é recomendado que a mulher faça repouso absoluto — nessas situações, a gestante precisa ficar deitada em tempo integral sobre o lado esquerdo do corpo. Caso nenhuma dessas alternativas proporcione os resultados desejados, o médico deve recorrer ao uso dos medicamentos.

Internação

Em boa parte dos quadros de eclâmpsia, é necessário que a mulher fique internada. Durante o período no hospital, é possível monitorar o bebê, a quantidade de líquido amniótico e os vasos maternos e fetais. Se, por acaso, houver uma diminuição significativa do líquido amniótico, é um indício sério de que o bebê não está recebendo sangue/oxigenação suficiente para o seu desenvolvimento.

No pós-parto

Engana-se quem imagina que o acompanhamento da mulher com eclâmpsia termina logo no parto. Nada disso! Após o nascimento do bebê, o médico responsável deve acompanhar a pressão arterial da mãe, esperando que ela volte ao normal. O ideal é que os índices estejam regulados em até 12 semanas, mas, normalmente, isso costuma ocorrer mais cedo.

Quais são os riscos?

Como vimos até agora, a eclâmpsia é uma condição gravíssima, que traz consigo uma série de riscos. A seguir, veja quais podem ser as consequências da doença.

Riscos para a gestante

O aumento da pressão e do fluxo de sangue intracranianos provocam lesões nos vasos sanguíneos da região. Como consequência, o quadro pode se agravar, gerando edema e hemorragia cerebral.

Outras complicações são: edema pulmonar, insuficiência renal aguda e a ocorrência de doença cardíaca a longo prazo.

Riscos para o bebê

Tanto a eclâmpsia, quanto a pré-eclâmpsia atingem diretamente a placenta, o órgão responsável por fornecer oxigênio e nutrientes para o bebê. Quando a gestante apresenta altos índices de pressão arterial, essa alteração é capaz de diminuir o fluxo sanguíneo e, com isso, a placenta não consegue funcionar adequadamente.

O efeito disso é um só: o recém-nascido pode nascer com peso abaixo do normal e diversos problemas de saúde. Também é importante lembrar que as complicações na placenta contribuem para um parto prematuro ou, até mesmo, podem causar o nascimento de um bebê natimorto.

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Outras complicações

Quando não tratada devidamente, a eclâmpsia pode causar algumas complicações. Uma das mais conhecidas, é a chamada síndrome de HELLP — promovendo a destruição dos glóbulos vermelhos, redução do número das plaquetas e aumento das enzimas hepáticas.

Essas alterações são capazes de colocar em risco a vida do bebê e da mãe ao longo de toda a gravidez, uma vez que provoca insuficiência renal, edema pulmonar e complicações severas no fígado.

Muitas vezes, essa doença é confundida com a pré-eclâmpsia, já que as duas possuem sintomas bastante semelhantes. Contudo, existe um sinal bem característico da síndrome de HELLP, que é uma dor intensa na região do estômago. A condição tem cura, desde que seja tratada rapidamente.

Além da dor na região do estômago, o problema causa outros sintomas que merecem atenção. Entre eles:

  • dor de cabeça intensa;
  • mudanças na visão;
  • aumento da pressão arterial;
  • mal-estar;
  • vômitos;
  • náuseas.

Identificou algum sintoma parecido com esses? Então, não perca tempo e procure imediatamente o seu obstetra. Se não for possível conversar prontamente com o médico, vá ao pronto-socorro e solicite atendimento de urgência.

Para contornar a complicação, é fundamental que a mulher permaneça internada no hospital para que os médicos consigam acompanhar a gravidez de perto. O tratamento mais adequado é escolhido conforme o tempo gestacional. O mais habitual é que, após as 34 semanas de gestação, o obstetra induza o parto, evitando assim o sofrimento do bebê e a morte da gestante.

Por outro lado, quando a paciente ainda não completou as 34 semanas, é possível realizar aplicações intramusculares de corticosteroide. Esse medicamento ajuda a desenvolver os pulmões do feto com mais rapidez para que o parto possa ser adiantado. Agora, se a mulher ainda não tiver completado as 24 semanas de gestação, nenhum procedimento será realmente eficaz e o melhor caminho é interromper a gravidez.

Com base nessas informações, ficou claro que a eclâmpsia é uma complicação seríssima da gravidez e que pode ser silenciosa, colocando a vida da mamãe e do bebê em risco?

Esse fato ressalta a importância de realizar todos os exames e consultas do pré-natal, a fim de garantir que a gestação ocorra sem nenhum imprevisto. Lembre-se de procurar um obstetra de sua confiança e, logo na primeira conversa, tirar todas as suas dúvidas sobre a gravidez e os seus riscos.

Tais cuidados são essenciais para manter a sua saúde em dia e não atrapalhar a chegada do seu filho ao mundo. O segredo é simples: você precisa gostar do médico e confiar no seu trabalho. Somente assim, essa experiência será mais segura e tranquila. Pense nisso!

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Categorias: Gravidez , Saúde na gravidez

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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