Gravidez

Entenda como funciona o desenvolvimento fetal de gêmeos

A gestação de gêmeos sempre gera muitas dúvidas para os pais, desde a formação até o seu desenvolvimento. Como é a dinâmica de dois bebês no útero ao mesmo tempo? Existe alguma coisa diferente da gestação de apenas um? Descubra agora com o vídeo da Dra. Ana Lúcia Beltrame e confira o nosso artigo.

Tipos de gêmeos

Apesar de terem a mesma idade, os gêmeos podem apresentar características bastante diferentes. Tudo vai depender da forma como o óvulo foi fecundado.

Os irmãos muito parecidos são chamados de monozigóticos, enquanto os distintos de dizigóticos. A seguir, entenda como as crianças são formadas:

Gêmeos idênticos

Menos comuns, se desenvolvem a partir de um único óvulo e um espermatozoide. Nas fases iniciais, as células se dividem em dois embriões, gerando dois bebês idênticos, que dividem a mesma placenta. O mais comum, porém, é que tenham sacos amnióticos diferentes.

Gêmeos fraternos

Geralmente, dois óvulos são fecundados por um espermatozoide cada, gerando dois zigotos diferentes, os chamados gêmeos fraternos ou dizigóticos. Cada bebê se desenvolverá separadamente, com placenta, membranas e saco amniótico próprios. Eles podem ser completamente diferentes, inclusive quanto ao sexo!

Dica: O que você precisa saber sobre gravidez de gêmeos

Como ocorre o desenvolvimento fetal?

Com a notícia da gravidez, as mamães e papais ficam cada dia mais ansiosos para verem aquela bolinha de células se transformar em um bebezinho! Se este é o seu caso, segure o nervosismo e acompanhe como ocorre o desenvolvimento dos seus bebês:

Desenvolvimento fetal

3 semanas

Na 3ª semana, os zigotos já estão implantados na na parede uterina e desenvolvem a placenta, o saco vitelino e o saco amniótico — a bolsa rompida no final da gravidez. A placenta ainda é apenas uma camada de células e produz a Gonadotrofina Coriônica Humana (HCG), detectada pelos testes de gravidez.

O saco vitelino nutrirá os embriões até a placenta estar pronta, e o saco amniótico crescerá até envolver todo o embrião.

Ao final da terceira semana, é normal que a mãe tenha pequenos sangramentos pela vagina, devido ao desenvolvimento dos blastocistos (embrião com 5 a 7 dias de vida) no endométrio. Porém, é de extrema importância comunicar ao médico da paciente para que este verifique que está tudo certo com os bebês.

4 semanas

Os zigotos já se transformaram em embriões. É de suas células que se desenvolverão os órgãos. E os principais começam a surgir nessa época, como o coração, o trato intestinal e o cérebro. Esse último surge a partir do tubo neural, que também dará origem aos nervos e à medula espinhal, e é beneficiado pelo ácido fólico ingerido pela mãe. O uso de ácido fólico evita o defeito de fechamento deste tubo neural, que levariam a doenças como anencefalia.

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Na 5ª semana, cada embrião terá sua própria placenta e bolsa amniótica. Eles ficarão acomodados lá até o final da gravidez, momento em que há o rompimento da bolsa.

8 semanas

Os bebês já têm perninhas e bracinhos que já podem se dobrar, pois já se formaram algumas articulações, como punhos e joelhos. Aqui começam os movimentos involuntários pelo desenvolvimento neural e muscular. As células nervosas do cérebro estão se desenvolvendo para garantir as conexões entre si.

Os dedinhos dos pés perdem as membranas interdigitais que os uniam, e os corações já estão formados, batendo numa frequência alta — aproximadamente 150 por minuto, o dobro do adulto!

Nesta fase, os olhinhos dos bebês ficam cobertos por pálpebras transparentes. Além disso, o normal é que as mãos fiquem unidas sobre o coração.

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12 semanas

Estamos no final do primeiro trimestre, quando o desenvolvimento fetal dos gêmeos já está praticamente completo, sendo que eles são capazes de reagir a estímulos externos. Os intestinos, que se formam parcialmente fora do corpo do bebê, se acomodam dentro da cavidade abdominal. Mas eles ainda são muito pequenos, com cerca de 10 cm de comprimento.

Nessa fase, fazer o ultrassom será emocionante, pois os pequenos estão ativos, já esticando as perninhas e dando chutinhos. As mãozinhas começam a se desenvolver também e podem ficar sobre o peito, e as unhas começam a nascer. Brotinhos de dentes crescem dentro das gengivas.

É normal que, nesta época, você comece a notar que a sua cintura está se alongado.

16 semanas

Nessa semana, se a posição dos bebês não tampar os genitais, já é possível identificar o sexo pelo ultrassom. As impressões digitais começam a ser formadas pelo contato da pele dos dedos com estruturas à sua volta, dependo da movimentação de cada um e da densidade do líquido amniótico — o que faz com que sejam diferentes mesmo nos gêmeos idênticos.

Os rins produzem urina, ajudando a compor o líquido amniótico, e é deglutida pelos bebês, sendo muito importante para a formação dos pulmões.

20 semanas

Com 20 semanas, os bebês começam a escutar sons, aprendendo a identificar a voz da mãe, então é possível conversar com os seus filhos e ser ouvida por eles! A pele é recoberta por uma camada de gordura, chamada vérnix caseoso, que a protege do líquido amniótico. Essa camada diminui com o tempo, mas costuma estar presente ainda na hora do parto.

O cabelo começa a nascer e embora alguns bebês nasçam bem cabeludos, outros são praticamente carecas. Os movimentos se tornam mais ativos e mais frequentes, sendo perceptíveis para a mãe e para o pai.

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24 semanas

Os dentes, tanto os de leite quanto os definitivos, já estão se formando sob a gengiva e as papilas gustativas da língua já se desenvolveram e começam a funcionar, ou seja, os bebês já sentem gostos!

As sobrancelhas e os cílios também já estão formados, e a pele está avermelhada e enrugada.

28 semanas

Com todas as estruturas dos olhos formadas, eles começam a abrir e fechar as pálpebras. Os bebês estão ganhando peso e a pele vai ficando mais lisa. Os movimentos são mais completos agora e os bebês são capazes de chupar os dedinhos e controlar o movimento da cabeça em resposta a uma luz externa. Também é possível notar quando soluçarem.

Aqui, é normal que você perceba com clareza o movimento dos bebês. Além disso, como o útero já se esticou bastante, o recomendado é que a mãe mantenha a pele bem hidratada.

32 semanas

Os bebês já pesam cerca de 1,5 Kg. As unhas, nas mãos e no pés, já estão formadas. Movimentos respiratórios rítmicos ocorrem, mas os pulmões ainda não estão maduros. Muitas das mamães que esperam gêmeos entrarão em trabalho de parto nas próximas semanas.

34 semanas

O que ocorre de mais importante nessa semana é o completo desenvolvimento dos pulmões, e se ainda faltar um pouquinho, isso ocorrerá na semana 35. Os bebês continuam ganhando peso.

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36 semanas

Essa semana será muito importante para a maioria das gestações gemelares, pois cerca de metade dos partos de gêmeos acontece por volta da 36ª semana. Por isso, eles tendem a nascer menores, com cerca de 2,5 Kg, e podem ter alguma dificuldade respiratória. Em geral, não há problemas em os bebês nascerem nessa semana, já que esses últimos momentos servem para engordar um pouco mais o bebê.

Tudo o que eles deglutiram durante a gestação será eliminado na forma de mecônio, uma pasta preta que será o primeiro cocô deles — primeiro de muitos que você ainda vai limpar!

Como é o parto de gêmeos

Muitas mulheres podem imaginar que o parto de gêmeos é sempre cesariana. Mas não é sempre assim — embora a probabilidade de parto prematuro aumente em relação ao parto de um bebê só, acontecendo em cerca de metade dos partos de gêmeos.

Normalmente, o tipo de parto depende da posição do primeiro gêmeo. Estando de cabeça para baixo e a placenta não barrando o colo do útero, o parto normal é possível.

As chances de sucesso do parto vaginal aumentam consideravelmente quando o segundo bebê está com a cabeça para baixo (cerca de 40% das gestações). Além disso, o ideal é que a criança maior esteja posicionada próxima ao colo do útero.

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Há situações, entretanto, em que a cesariana é necessária, como nos casos de bebês na mesma bolsa amniótica. A seguir, confira as particularidades do parto de gêmeos:

Quando a cesariana é recomendada

Existem alguns casos em que o médico pode recomendar a cesariana para a futura mamãe. Geralmente, isso ocorre quando:

  • a gravidez é de trigêmeos ou mais;
  • o bebê próximo ao colo do útero não está de cabeça para baixo;
  • as crianças estão na mesma bolsa amniótica;
  • houver alguma complicação durante o trabalho de parto (descolamento de placenta, batimentos cardíacos dos bebês fora do comum etc.).

As diferenças do parto de gêmeos e possíveis complicações

Há poucas diferenças entre a cesariana feita em uma mulher grávida de um bebê e uma que está esperando gêmeos. Basicamente, o que distingue é a equipe e os instrumentos dentro de sala: há um maior número de profissionais e equipamentos (destinados a cada um dos bebês). Além disso, o corte pode ser um pouco maior do que o normal.

Já as complicações são as mesmas do parto de um só bebê. Entre os principais riscos estão embolia pulmonar, trombose e problemas respiratórios para a criança. Vale destacar que, embora não seja uma regra, a cesária também pode retardar a descida do leite.

​Como saber se o parto normal é a melhor opção

Se os bebês estiverem em posições favoráveis — e se não acontecer nenhum imprevisto durante o trabalho de parto —, é bem provável que o seu médico aconselhe o parto normal. Afinal, o método de nascimento natural é mais seguro para a mamãe e o bebê.

Dica: 18 dicas básicas e essenciais para mamães de primeira viagem!

Além disso, a recuperação é muito mais rápida, a descida do leite é mais fácil e a criança fica mais forte — isso ocorre porque, ao passar pelo canal vaginal, o bebê é envolto por secreções do organismo da mãe que diminuem o risco de complicações pós-parto.

Entretanto, vale destacar que somente o médico que fez o pré-natal é quem sabe o melhor jeito do seu filho nascer. Por isso, siga sempre as recomendações.

Possíveis complicações do parto normal

Se comparado ao parto de uma só criança, o nascimento de gêmeos oferece maior risco de complicações. Os principais deles são o rompimento da bolsa, o descolamento da placenta e a hemorragia pós-parto (esta última também pode acontecer por cesária).

Para que tudo dê certo, é sempre recomendado que a criança nasça no hospital e que o parto seja feito por um obstetra experiente no nascimento de gêmeos. Além disso, o ideal é que a equipe seja composta por dois pediatras (um para cada bebê).

Também é importante que a maternidade seja equipada com uma UTI dedicada aos recém-nascidos e que a equipe médica tenha experiência em cuidar de prematuros.

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Repouso

Seja qual for o método de nascimento do bebê, o tempo de recuperação e internação é o mesmo para as mães (de gêmeos ou não). Nos casos dos bebês, pode ser que eles precisem ficar internados alguns dias, dependendo do tamanho e idade gestacional.

Cuidados necessários

Assim como qualquer gravidez, a futura mamãe de gêmeos deve tomar alguns cuidados especiais para que tudo ocorra bem. O primeiro deles é procurar um profissional capacitado (de preferência com experiência em gêmeos) para fazer o pré-natal.

Depois, basta seguir as recomendações do seu médico, se alimentar bem e fazer alguma atividade física leve — desde que haja o aval do profissional.

Se você ainda se sente insegura, uma dica é fazer cursos para casais ou até mesmo procurar o auxílio de uma Doula (assistente de parto que acompanha a mamãe durante todo o período de gestação até os primeiros meses após o nascimento).

Esses recursos podem ser extremamente importantes para os pais de primeira viagem, já que eles terão com quem tirar dúvidas, pedir conselhos, aprender cuidados etc.

Vale lembrar que o apoio da família é fundamental nesse processo — principalmente em caso de gêmeos, em que a mãe terá duas crianças para amamentar. Por isso, é preciso que mãe e pai estejam unidos para fazer da gestação um momento bonito e único.

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Como faço ter uma gravidez tranquila?

Quando a mamãe descobre que está grávida de gêmeos, normalmente se pergunta: devo mudar meu dia a dia? Não necessariamente. Veja o que pode mudar:

Repouso

As grávidas de gêmeos precisam de ainda mais repouso. Porém, cada caso é um caso e a gestante perceberá o quanto precisa descansar. O importante é não se cobrar por não conseguir realizar tarefas por fadiga. Descansar deve ser prioridade!

Pedir ajuda

Futuras mamães de gêmeos que já têm outros filhos devem ver a possibilidade de pedir ajuda externa para cuidar das crianças. Estender algumas horas na escolinha, contratar uma babá e acionar a vovó ou a titia sempre que possível são boas soluções.

Licença-maternidade antecipada

Ainda que trabalhar “enquanto aguentar” seja uma prova de resistência e profissionalismo, nessa fase a prioridade deve ser a saúde da mamãe e dos pequenos. Considere antecipar a licença-maternidade.

Evitando problemas mais sérios

Além da maior chance de parto prematuro, as grávidas de gêmeos têm maior risco de desenvolver diabetes gestacional e hipertensão no final da gravidez, a chamada pré-eclâmpsia, que pode evoluir para a eclâmpsia, doença que pode trazer sérios problemas para os bebês e para a mamãe.

Dica: A importância da alimentação saudável durante a gravidez

O obstetra ficará de olho na pressão arterial da gestante e pedirá exames de urina mais vezes para diagnosticar esses quadros, além de problemas mais comuns, como anemia, que causa muito cansaço.

Grávidas de gêmeos também apresentam maior risco de diabetes gestacional desta forma, terão acompanhamento médico mais próximo através da dosagem sérica de glicose, curva glicêmica e peso dos bebês que podem estar bastante aumentado nestes casos.

Alimentação

Tenha uma alimentação variada e nutritiva. Consuma alimentos ricos em ferro, como carnes magras e verduras escuras, pois evitam a anemia, muito comum em grávida de gêmeos. Evite alimentos indigestos que causam prisão de ventre e gases.

Cuidar da saúde é a melhor dica para poder ter forças e estar bem após o nascimento dos bebês, sendo o parto prematuro ou não. Aliás, quanto mais repouso fizer e quanto menos ficar ansiosa, menor será a probabilidade dos bebês nascerem antes do tempo.

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