Gravidez

Gripe na gravidez: o que devo fazer?

Quando uma mulher descobre uma gravidez, tudo ao seu redor muda: todo seu foco e atenção agora está no bebê. A casa, sua família e seu coração se adaptam para receber o novo membro da família que promete trazer uma grande mudança para suas vidas. Porém, não só esses fatores que se alteram. O corpo feminino também sofre uma grande transformação e seu físico apresenta um novo funcionamento para lidar com todas as novidades desse período.Porém, nem tudo são flores. Durante a gestação, o organismo da gestante tende a ficar vulnerável e propenso a contrair doenças e infecções. Dentre elas, há uma em especial que necessita de atenção redobrada para não se tornar uma ameaça à saúde da futura mamãe e do neném: a gripe na gravidez.

Fique tranquila! Pode parecer assustador, mas uma gripe na gravidez não é motivo para um alarde e, muitas vezes, não progride para um quadro clínico sério ou requer grandes cuidados médicos. Ter alguns cuidados, se alimentar corretamente e ficar atenta a alguns sintomas vai fazer com que tudo transcorra tranquilamente.

Mas você sabe como identificar os sinais de que está com uma gripe? Conhece todas as dicas para se prevenir? Sabe quais medicamentos tomar? Pensando nisso, preparamos este post com todas as informações para esclarecer suas dúvidas e te ajudar a combater a gripe no período mais importante de sua vida! Confira:

Gripe ou resfriado?

O primeiro passo é identificar se você está realmente com uma gripe ou é apenas um resfriado, pois cada uma demanda um tratamento e procedimentos específicos. Mas também apresentam semelhanças que podem confundir: elas se equiparam por serem infecções corriqueiras, serem causadas por um vírus e terem meios de contaminação parecidos. Além disso, atacam o sistema respiratório gerando tosse, febre, espirro e coriza nas pessoas infectadas. Porém, suas similaridades acabam por aí.

Uma pessoa que contraiu um resfriado apresenta uma febre baixa (pouco acima dos 37 ºC sendo esse sintoma mais comum em crianças do que em adultos), leve dor de garganta, mal-estar moderado, podendo apresentar quadros amenos de otite e sinusite, além de muita coriza e obstrução nasal. Sua duração costuma a ser de sete dias e os sintomas aparecem até dois dias após o contágio.

Já quando se está gripado, o normal é apresentar uma febre alta (acima de 38 ºC, quase chegando aos 40 ºC), sensação intensa de mal-estar e dores corporais. A gripe compromete não apenas as vias aéreas superiores (rinofaringe), como toda a árvore brônquica, podendo causar complicações mais graves, como a pneumonia e a desidratação. Assim, apesar de apresentar um quadro clínico semelhante ao do resfriado, a gripe requer uma atenção especial para que não evolua e acabe trazendo problemas para a gestante e o bebê.

É comum ficar gripada várias vezes durante a gestação?

Em uma pessoa saudável, o sistema imune está apto a reconhecer corpos estranhos e eliminá-los. O bebê, no entanto, não é reconhecido como um corpo estranho, e sim como um ‘’transplante compatível’’ ao corpo da gestante. O sistema imunológico da futura mamãe trabalha para que as suas células não ataquem o DNA do neném, o que o torna vulnerável e deixar uma porta aberta para doenças oportunistas como a gripe.

Assim, é comum que as gestantes registrem quadros de gripes. Porém, como os sintomas iniciais da patologia cansaço, mal-estar, vômitos e dores no corpo) são parecidos com os do início da gravidez, a doença pode demorar a ser detectada e se agravar. Por isso, é muito importante que, caso haja a suspeita, a grávida deverá procurar auxílio médico e iniciar o tratamento indicado.

Quando devo procurar o médico?

Qualquer fator considerado incomum deve ser informado ao seu obstetra e, isso não exclui a gripe. Se você apresentar os sintomas de formas acentuadas ou um resfriado prolongado por mais de sete dias pode ser indícios de uma infecção mais grave que precisará de cuidados especiais, sendo o cuidado médico recomendado imediatamente.

Em hipótese alguma, a automedicação deverá ser realizada, principalmente quando se trata do caso de uma gestante. Há uma imensa lista de remédios usados rotineiramente (como os antivirais e antibióticos) que podem conter substâncias prejudiciais para a saúde do neném. Além disso, uma gripe mal tratada pode retornar mais fortes e complicar a situação da gestante.

Nesses casos, o recomendado é tratar os sintomas individualmente com medicação prescrita por um especialista.

Como prevenir a gripe na gravidez?

O primeiro passo é nunca se esquecer daquelas dicas básicas como higienizar as mãos constantemente, lavar bem os objetos pessoais, não coçar os olhos ou colocar a mão na boca caso não tenha a limpado há pouco tempo, não ter contato com pessoas doentes e evitar lugares muito fechados sem circulação de ar.

Você também deverá caprichar na alimentação. Na dieta de uma grávida não podem faltar vitaminas, proteínas, carboidratos e minerais, pois são elementos essenciais para fortalecer o sistema imunológico e também auxiliam no desenvolvimento do bebê.

Além disso, uma dieta balanceada deve conter carnes magras, legumes, frutas, peixes, laticínios e cereais. Prefira os alimentos frescos a suplementos, enlatados e congelados.

Aquela dica da vovó também não pode ser descartada: ingira muitos alimentos que sejam ricos em vitamina C, como a laranja, abacaxi, acerola, tomate, entre outros. Também, é importante manter-se constantemente hidratada. Assim, abuse da água mineral, chás e sucos naturais.

Realizar atividades físicas leves e dormir bem também são fatores importantes para prevenir a doença.

Quando um corpo está saudável, seu sistema imunitário fica forte!

Devo tomar a vacina?

Outra forma de prevenção da gripe na gravidez é a vacinação. A vacina é feita com vírus inativo ou morto e em apenas 10% dos casos provoca sintomas reais (porém leves) de gripe. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres grávidas devem ser vacinadas no período do ano em que a doença é mais frequente, a partir do 2º trimestre de gravidez.

O 1º trimestre é de grande importância para o desenvolvimento regular do bebê. Dessa maneira, é importante consultar um médico para avaliar a necessidade da vacina em cada caso. A OMS acredita que a vacinação e consequente imunização da mãe também protege o recém-nascido em seus seis primeiros meses de vida. Isso ocorre porque a mãe transfere anticorpos via placenta para o sistema imune do filho. Toda mulher que pretende engravidar também deve receber a vacina trivalente inativada pela gripe como forma de prevenção.

Um estudo realizado pela Universidade de Utah, nos Estados Unidos, apontou que todos os bebês de mães que foram vacinadas apresentaram anticorpos contra a doença assim que nasceram. Além disso, eles perduraram por alguns meses após o nascimento, sendo uma opção favorável aos bebês, já que a vacina só pode ser aplicada em crianças após os seis meses de vida.

Mas fica um alerta! Pessoas que têm hipersensibilidade à proteína do ovo não devem tomá-la, pois podem apresentar uma reação anafilática. Além disso, caso o indivíduo apresente quadros febris, infecções bacterianas ou viróticas, a aplicação imediata da vacina é contraindicada, sendo necessário o tratamento antes para só depois realizar a imunização.

Estou gripada. A gripe na gravidez pode afetar o meu bebê?

Apesar de os sintomas da gripe causarem um grande mal-estar e deixarem a futura mamãe muito cansada, o vírus não oferece perigo para o neném. Felizmente, ele está protegido no útero pela barreira placentária. Porém, o perigo maior encontra-se nas infecções secundárias que aparecem junto ou depois da contaminação pelo vírus da gripe como as amigdalites, faringites, pneumonias e sinusites. Elas tendem a agravar o quadro clínico da gestante e geram riscos à saúde do feto.

Mesmo não sendo diretamente afetado pelo vírus, o bebê sofre o impacto da doença no organismo da mãe. Uma mulher debilitada pode ser incapaz de gerar todo o cuidado necessário e nutrientes necessários para o neném e assim prejudicar sua gestação. Por isso, o descanso e o tratamento correto são primordiais para manter uma gravidez sadia.

Um ponto de atenção é que a gripe tem como efeito colateral deixar a pessoa sem apetite. A grávida deve continuar cuidando de sua alimentação apesar da inapetência causada pela doença.

É importante não pular refeições para que o bebê receba todos os elementos necessários para seu desenvolvimento regular. A comida pode vir em forma de caldos quentes, purês, sucos de frutas e vitaminas. Alimentos mais pastosos e líquidos são mais fáceis de ingerir, além de repor os líquidos perdidos pela desidratação e não agredir o epitélio da garganta, que pode estar sensibilizado.

Como tratar a gripe durante a gestação?

Para dores corporais e febre, o paracetamol é o mais indicado pelos médicos por não afetar a pressão arterial. Já alguns medicamentos, como a aspirina, são contraindicados no início da gestação e o uso em altas doses pode trazer complicações para a gravidez.

Passe longe também de analgésicos como a codeína e o ibuprofeno, que estão associados a malformações quando consumidos com regularidade pela mãe durante a gestação. As principais são problemas cardíacos, hidrocefalia e glaucoma congênito. Descongestionantes nasais e antigripais também não devem ser consumidos por conter esses e outros analgésicos em suas fórmulas.

A melhor forma de tratar os sintomas da gripe na gravidez é de forma natural, evitando o uso de medicamentos. Os sintomas nasais podem ser tratados com inalador e soro fisiológico. Para quem não tem um inalador, a dica é lavar o nariz com soro abundantemente ou colocar água quente em uma bacia com gotinhas de óleo (eucalipto, menta e hortelã são boas opções) e respirar o vapor, de preferência com uma toalha cobrindo a cabeça.

Para a dor de garganta e tosse, chás são bastante efetivos, como o de limão com camomila. Associar o própolis ou o mel pode ocasionar em um resultado interessante e eficaz, pois eles atuam na imunidade local. Dessa forma, borrifar própolis na garganta e ingerir uma colher de mel pode ser formas de criar um antibiótico poderoso e evitar a propagação da infecção. Ou ainda, o uso de xaropes prescritos pelo médico especialista, que não são contraindicados durante a gestação.

Para aliviar a febre, a gestante pode tomar um banho morno (mais para frio do que para quente). Já para a tosse insistente, a recomendação é o uso de balas de gengibre ou mel que evitam que a região fique seca e irritada.

Assim como na prevenção, é importante que a grávida tenha uma boa alimentação e se mantenha hidratada. Descansar bastante é parte principal do tratamento e talvez seja necessário se ausentar do trabalho por alguns dias.

Devo ficar mais preocupada no inverno?

Muitas pessoas acreditam que o inverno é um dos principais fatores que agravam a disseminação da gripe na população. Assim, algumas gestantes acreditam que a estação apresenta grandes riscos à sua saúde e que ela deverá redobrar os cuidados. Porém, isso não passa de um grande mito! As questões climáticas não têm relação com o aumento do contágio.

Normalmente, nos meses mais frios as pessoas tendem a ficar mais tempo juntas em locais fechados, o que favorece a circulação do vírus e, consequente, mais indivíduos ficam expostos e correndo o risco de contaminação.

Assim, não fique preocupada! Você não pegará uma gripe por não andar agasalhada ou pegar chuva (apesar dessas situações não serem recomendadas). Para contrair a gripe, você deverá ter contato com o vírus e por isso, os cuidados deverão ser constantes durante todas as épocas do ano.

A gripe causa transtornos e incômodos para qualquer pessoa, porém seus sintomas podem ser ainda mais intensos e desagradáveis para as gestantes que veem sua energia e apetite irem embora, além de gerar preocupação. Por isso, compreender e prevenir a gripe na gravidez se torna extremamente importante para a segurança da futura mamãe e de seu bebê.

Mas reforçamos que nada deve ser feito sem orientação médica! Seguindo instruções corretamente, em poucos dias o problema será resolvido sem maiores intercorrências e a mulher poderá voltar a aproveitar uma gestação tranquila e saudável.

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Categorias: Gravidez , Saúde na gravidez

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    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
    Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
    Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
    Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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