Células-Tronco

Mitos e fatos sobre o sangue do cordão segundo a Cord Blood Association

De tempos em tempos, médicos e profissionais envolvidos com transplante de medula óssea ouvem declarações sobre o uso e armazenamento do sangue do cordão umbilical baseadas em informações imprecisas.

A Cord Blood Association, uma das principais organizações sem fins lucrativos do setor, solicitou recentemente aos seus membros que apresentassem exemplos de mitos que eles já ouviram sobre o assunto. Veja abaixo os principais mitos e as respostas baseadas em fatos:

19 mitos e fatos sobre o sangue do cordão umbilical

1. Mito

O sangue do cordão é um material de descarte que não tem valor.

Fato

O cordão umbilical de um bebê contém células-tronco que são capazes de, quando transplantadas, reconstruir a medula óssea e o sistema imunológico e com isso salvar a vida de um paciente que tenha uma doença grave, como leucemia, linfoma ou anemia falciforme.

A infusão dessas células também pode tratar pacientes com doenças genéticas hereditárias, falências da medula óssea ou deficiências imunológicas hereditárias.

Mais de 40.000 pacientes com doenças e distúrbios graves foram beneficiados por tratamentos com sangue do cordão umbilical desde o primeiro transplante em 1988.

2. Mito

A coleta de sangue do cordão umbilical poderia afetar ou prejudicar o meu bebê.

Fato

O sangue do cordão é coletado do cordão umbilical e da placenta após o nascimento do bebê, ou seja, após o cordão já ter sido cortado. Nenhum sangue é retirado diretamente do seu bebê. O procedimento de coleta não interfere de maneira alguma com o parto ou com o nascimento do bebê. Não há risco para a mãe ou para o bebê.

3. Mito

Os pais têm até o momento do nascimento do bebê para decidir coletar ou doar o sangue do cordão.

Fato

As providências para a coleta do sangue do cordão umbilical precisam ser feitas antes do nascimento. Os pais devem falar com seu médico obstetra, entre a 28ª e 34ª semana de gestação sobre seu interesse em armazenar ou doar o sangue do cordão de seu bebê.

4. Mito

O sangue do cordão umbilical pode ser doado em qualquer hospital.

Fato

Infelizmente nem todo hospital oferece a opção de doação de sangue do cordão umbilical. A doação no Brasil é realizada em maternidades credenciadas do programa da Rede BrasilCord, que reúne os bancos públicos de sangue de cordão.

Existem alguns controles no momento da coleta do sangue do cordão, necessários para um bom aproveitamento das unidades. Portanto, não se trata de uma doação universal como ocorre com sangue e que pode ser feita em qualquer hospital ou por qualquer pessoa, sendo limitada aos hospitais que fazem parte do programa (fonte: www.inca.gov.br).

No site da Fundação Guia de Pais para o Armazenamento do Sangue do Cordão é possível encontrar a lista dos bancos públicos no Brasil (https://parentsguidecordblood.org/pt/banca-publica).

Se você está considerando doar, pergunte ao seu médico se a doação é possível na maternidade onde você planeja ter seu bebê.

5. Mito

O sangue do cordão armazenado em um banco familiar/privado pode ser usado para tratar qualquer pessoa da família.

Fato

O sangue do cordão armazenado em um banco familiar/privado não pode ser usado para tratar qualquer pessoa da família, pois vai depender de compatibilidade. Isso acontece porque as células-tronco do sangue do cordão umbilical têm marcadores genéticos que precisam coincidir, ainda que parcialmente, com os do paciente que irá receber as células.

Irmãos e irmãs com os mesmos pais biológicos têm 25% chance de terem compatibilidade total e 50% de chance de uma compatibilidade parcial. Outras pessoas da família têm chances menores de compatibilidade.

6. Mito

Há poucas razões para armazenar sangue do cordão umbilical, já que as células-tronco podem ser acessadas de outras fontes, como medula óssea.

Fato

O sangue do cordão é uma das três fontes de células-tronco formadoras de sangue usadas nos transplantes. As outras duas fontes são a medula óssea e o sangue que circula pelo corpo (chamado sangue periférico).

Cada fonte tem vantagens e desvantagens dependendo da doença, do seu estágio e do paciente. Algumas vantagens do sangue do cordão umbilical são:

  • Ao contrário das células de doadores adultos, o sangue do cordão não foi tão exposto a vírus, produtos químicos e poluentes ambientais que podem alterar a função celular.
  • As células do sistema imunológico do sangue do cordão umbilical são imaturas e podem ser melhor toleradas por um paciente quando comparadas às células adultas. Portanto, as células do cordão umbilical não precisam ser tão compatíveis com o paciente quanto as células de doadores adultos.
  • O sangue do cordão umbilical pode ser acessado mais rapidamente do que as células-tronco de um doador adulto que pode ter se cadastrado para doação de medula há muito tempo. O doador deve ser então localizado, autorizar a doação, ser submetido a testes e ao procedimento da coleta da medula. Consequentemente, o sangue do cordão umbilical pode ser a fonte preferida para pacientes que têm uma doença genética grave, com risco de vida, e necessidade de transplante urgente, ou para aqueles que têm mais dificuldades em achar doadores compatíveis devido à sua herança racial ou étnica.
  • A equipe médica responsável pelo transplante, juntamente com o paciente, pode determinar a melhor fonte de células-tronco a partir das opções disponíveis.

7. Mito

Os tratamentos com sangue de cordão são experimentais.

Fato

O sangue do cordão umbilical é uma fonte consagrada de células-tronco para pacientes que precisam realizar um transplante de medula.

Essas células são usadas ​​no tratamento de mais de 80 doenças, incluindo leucemias, falências medulares, imunodeficiências e outras doenças hematológicas, do metabolismo ou hereditárias. Uma lista dessas doenças está disponível online. (https://www.cordvida.com.br/porque-armazenar/lista-de-doencas-sangue/).

Em outras áreas, as terapias com sangue do cordão estão sendo estudadas para tratar doenças relacionadas ao sistema nervoso, coração, ossos e metabolismo, acompanhando o rápido avanço no campo da medicina regenerativa.

O valor do uso do sangue do cordão para o tratamento destas doenças está sendo determinado por diversos estudos em andamento.

8. Mito

Quando o clampeamento do cordão umbilical é feito de forma tardia, não há células-tronco suficientes no cordão para o armazenamento ou doação.

Fato

Várias organizações obstétricas nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Canadá recentemente recomendaram um retardamento de 30-60 segundos entre o parto e o clampeamento do cordão umbilical para bebês saudáveis ​​e a termo. Acredita-se que o clampeamento tardio possa ter um efeito benéfico para o recém-nascido.

O clampeamento tardio pode reduzir o volume de células-tronco remanescentes no cordão umbilical, mas não necessariamente torna o volume inadequado para armazenamento ou doação.

Por outro lado, se o sangue do cordão umbilical do bebê está sendo armazenado para um uso conhecido – como o transplante de outro membro da família com leucemia – o clampeamento tardio não é recomendado. Os pais devem discutir as opções do clampeamento com o seu obstetra.

9. Mito

Eu posso doar sangue do cordão umbilical do meu bebê para um banco público se eu não quiser mais armazená-lo privadamente.

Fato

As regulamentações na maioria dos países não permitem que o sangue do cordão umbilical que foi armazenado em um banco familiar/privado seja depois doado a um banco público. No entanto, alguns países permitem o uso público de amostras armazenadas privadamente se a família que armazenou a unidade de sangue do cordão umbilical concordar.

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10. Mito

O transplante de sangue do cordão umbilical é limitado ao tratamento de doenças hematológicas ou sanguíneas.

Fato

O transplante de sangue do cordão umbilical é aceito para o tratamento de doenças do sangue , como leucemia, linfoma ou anemia falciforme, bem como doenças genéticas hereditárias, insuficiência da medula óssea e imunodeficiências.

Além dessas, pesquisas estão em andamento para determinar se o sangue do cordão pode tratar outras condições médicas, como anóxia neonatal (danos cerebrais por falta de oxigênio durante o parto), paralisia cerebral e autismo. Terapias com sangue de cordão para essas lesões e doenças cerebrais não são a prática médica padrão, mas estão sendo avaliadas em estudos clínicos em andamento e podem se provar úteis no futuro.

11. Mito

As terapias de sangue de cordão são limitadas ao tratamento de crianças.

Fato

Nos primeiros anos de transplante de sangue do cordão umbilical isso era verdade devido à dose limitada de células-tronco em uma unidade típica de cordão umbilical. No entanto, como a dosagem das células do sangue do cordão umbilical foi sendo melhor compreendida, sabe-se que cerca de 12% dos adultos podem ser transplantados com uma única unidade de sangue do cordão. Mas a maioria dos pacientes adultos geralmente requerem mais células do que as contidas em um único cordão.

No entanto, nos últimos anos, o tratamento de adultos tornou-se mais comum, em parte, devido ao “duplo transplante” procedimento em que as células de dois cordões umbilicais são transplantadas em um mesmo paciente. Também existem processos em estudo que expandem o número de células em uma unidade de sangue do cordão umbilical.

Com o aumento das doses de células-tronco, mais pacientes adultos podem ser transplantados.

12. Mito

O sangue do cordão armazenado tem um tempo de armazenamento limitado.

Fato

Teoricamente, o sangue do cordão congelado e armazenado de forma correta pode permanecer útil por toda a vida. Mas não se sabe isso com toda a certeza, pois os bancos de sangue do cordão existem há menos de 30 anos.

No entanto, células-tronco do sangue de cordão armazenado por mais de 20 anos vem sendo utilizadas em transplantes bem-sucedidos.

13. Mito

Os bancos de sangue do cordão familiar/privados têm poucos padrões de qualidade.

Fato

Padrões de qualidade foram desenvolvidos por duas agências certificadoras do setor: AABB (Associação Americana de Bancos de Sangue) e FACT (Fundação para o credenciamento de terapia celular). Essas organizações coletam dados dos bancos e realizam auditorias e análises nos laboratórios para garantir que o sangue do cordão seja coletado com segurança e processado de forma a proteger a qualidade, pureza e viabilidade das células.

A Cord Blood Association recomenda que os pais perguntem sobre essas acreditações e o status delas quando forem escolher um banco de sangue do cordão umbilical.

14. Mito

Armazenar células-tronco do sangue do cordão em um banco privado só faz sentido se houver um histórico de doenças do sangue na família.

Fato

Para uma criança nascida em uma família que não tem histórico de doenças do sangue, as chances de necessidade de uso do sangue do cordão armazenado são pequenas, mas não zero.

Até 2014, das 4 milhões de unidades de sangue de cordão armazenadas em bancos privados no mundo, mais de 400 unidades foram usadas em transplantes de medula. Além disso, mais de 500 foram utilizadas em infusões experimentais em ensaios clínicos promissores para tratar lesões cerebral, entre outras.

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15. Mito

Como eu armazenei o sangue do cordão do meu primeiro filho, não preciso armazenar sangue do cordão do segundo.

Fato

Se você armazenou o sangue do cordão do seu primeiro filho, as razões para armazenar de seus outros filhos são as mesmas. Há cerca de 25% de chance de que dois irmãos sejam totalmente compatíveis.

16. Mito

Se eu escolhi armazenar o sangue do cordão umbilical do meu filho ao nascer, não preciso também armazenar o tecido do cordão.

Fato

Todos os anos, novos usos para o sangue e tecido do cordão são propostos ou descobertos. O sangue e o tecido do cordão umbilical são a promessa de tratamento para uma série de doenças e você pode considerar armazenar os dois ao mesmo tempo.

Não existe um método padrão para armazenar o tecido do cordão, como ocorre com o sangue, neste momento. Você deve, portanto, perguntar ao banco que realizará o armazenamento do sangue como é feita a coleta e armazenamento do tecido do cordão e como as células desse tecido poderão ser usadas no futuro.

17. Mito

As células-tronco do cordão umbilical quando transplantadas podem causar uma doença maligna no paciente que as recebe.

Fato

Cânceres secundários são raros após o transplante de qualquer fonte de células-tronco, incluindo células-tronco do sangue do cordão umbilical. Monitoramento para prevenir cânceres secundários são uma parte importante do acompanhamento e atendimento do paciente no longo prazo após todas as quimioterapias e transplantes. Não há aumento do risco de malignidade pós-transplante utilizando o sangue do cordão umbilical quando comparado a outras fontes utilizadas em transplantes de medula.

18. Mito

Uma unidade de sangue do cordão contém apenas células-tronco.

Fato

Embora o sangue do cordão realmente seja rico células-tronco, ele também contém muitos tipos de células maduras do sangue. Algumas delas estão sendo investigados para o desenvolvimento de produtos para terapia celular no futuro.

19. Mito

Se alguém da minha família precisar de um transplante de medula com sangue de cordão umbilical, eles só podem utilizar um cordão compatível de um banco público se eu tiver doado o sangue do cordão umbilical do meu bebê para um banco público.

Fato

Qualquer pessoa que precise de um doador para um transplante pode acessar os bancos públicos.

Referência: https://www.cb-association.org/myths-and-facts

Instituições que fazem parte do conselho da Cord Blood Association

Hospitais, universidades e centros de pesquisa:
Memorial Sloan Kettering Cancer Center. New York, NY
Duke University School of Medicine. Durham, NC
Fred Hutchinson Cancer Research Center – Seattle, Wa
University of Duesseldorf Medical Center, Alemanha
New York Blood Center, New York, New York
MD Anderson Cord Blood Bank, Houston, Texas
Houston Perinatal Associates, Houston, Texas

Hospitais, universidades e centros de pesquisa:
PerkinElmer ViaCord, Waltham, Massachusetts
CariCord, Irvine, California
StemCyte International, Baldwin Park, California
AMAG Pharmaceuticals, San Bruno, California
Sino Cell Technologies, Taipei, Taiwan
Vita 34 AG., Leipzig, Alemanha 
BioLife Solutions, Inc., Bothell, Washington

Pacientes:
Bone Marrow Transplant Survivor, Austin, Texas

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    Dra. Roberta Pasianotto Costa Trofo

    Dra. Roberta Pasianotto Costa Trofo

    (CRM 98.256/SP)
    Graduação em Medicina - Faculdade de Medicina de Jundiaí, 1999;
    Residência Médica em Clínica Médica e Patologia Clínica/Medicina Laboratorial na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP;
    Especialização em Hematologia e Hemoterapia na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP;
    Título de Especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial - SBPC.

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