Criança

Descubra como identificar refluxo em bebê

O refluxo em bebê é um sintoma angustiante para todos os pais que se preocupam com o bem-estar e com a saúde da criança. Esta, por sua vez, pode apresentar irritação e dor, tendo dificuldades para se acalmar, dormir ou se alimentar.

Apesar da angústia, a condição é encarada com tranquilidade pela maioria dos médicos. Eles dizem que é habitual e que, com o desenvolvimento infantil, isso tende a diminuir. Porém, ainda que seja uma característica natural e cesse ao decorrer dos meses na maioria dos casos, em outros a sorte não é tão grande assim, fato esse que pode afetar a saúde do bebê.

Acompanhe a leitura, entenda mais sobre o tema e saiba quando é hora de procurar ajuda profissional!

Refluxo em bebê: quais as principais dúvidas e o que fazer?

Segundo o gastropediatra Luiz Henrique Hercowitz, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, por volta de 67% dos bebês entre 2 e 5 meses têm refluxo. Em 21% a situação persiste entre os 6 e 7 meses. E apenas em 5% dos casos o quadro continua após o primeiro ano de idade.

Ainda que os números nos primeiros meses de vida sejam altos, muitos pais podem ter dúvidas do que fazer e do que é esperado em cada caso. Portanto, vamos responder às principais questões a seguir.

Por que acontece o refluxo?

Ele ocorre devido a uma adaptação no processo de digestão. Quando nos alimentamos, a comida passa pela boca, desce pela faringe, depois passa pelo esôfago e chega ao estômago. Entre o esôfago e o estômago temos um músculo, que abre sempre para o alimento passar. Se acontecer de esse músculo — também chamado de esfíncter — abrir antes da hora, parte do conteúdo presente no estômago pode voltar, ocasionando o refluxo.

Dica: Quais doenças podem ser descobertas no bebê ainda durante a gestação?

Quando a criança é muito nova, ela ainda não tem o sistema digestivo bem desenvolvido. As contrações que ocorrem durante o processo de digestão ainda são descoordenadas, o esfincter ainda é um músculo frágil nesse período e a criança se alimenta só de líquidos. Por esses motivos o refluxo em geral acontece e a criança é mais propensa a apresentar desconforto em relação a isso. Em algumas situações, pode ocorrer de o bebê ter alergia ou intolerância à lactose, substância presente também no leite materno e que, nesse caso, dificulta a digestão.

Quais os sintomas?

O bebê, em geral, apresenta irritabilidade intensa após as mamadas, pode ter dor na região do abdômen, como cólicas, assim como dificuldade em dormir ou em se alimentar. Quando acontecem vômitos, pode sentir irritação na garganta, tosse crônica, engasgos e até mesmo pausas respiratórias.

Geralmente, é uma situação angustiante para todos. Isso porque o neném não consegue dizer ainda o que sente e expressa o seu incômodo por meio do choro; e os pais acabam se desesperando, já que não sabem o que está se passando com a criança.

Qual a diferença entre refluxo e regurgitação?

A regurgitação é uma consequência do refluxo, que se apresenta como a volta do alimento para a boca, em geral em pequena quantidade. O refluxo nem sempre é visível e pode representar a volta do alimento apenas para o esôfago. Então, para regurgitar, o bebê precisa ter tido o refluxo antes. Se ele golfar um pouco depois de mamar pode ser normal, devido à imaturidade do seu sistema digestivo. Tenha uma fralda de pano sempre por perto e coloque-o para arrotar depois da amamentação.

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Quais os problemas que o refluxo pode causar?

Por ter o alimento indo em direção contrária de forma constante, essa condição pode provocar irritação e lesão no esôfago, causando dor, mal-estar, azia e queimação no peito. Em situações mais críticas pode haver infecção no canal que passa o alimento e problemas no pulmão, como asma e bronquite. Podem surgir ainda aftas na boca e mau hálito, além dos dentes perderem a calcificação.

Inflamações no ouvido, dificuldade para mamar e para ganhar peso também podem estar entre os problemas apresentados por quem tem refluxo.

Há tratamento para o refluxo em bebê?

Os casos mais leves podem ser prevenidos apenas com medidas posturais/comportamentais, como: reduzir o tempo das mamadas, evitar balançar ou trocar a fralda do bebê após as refeições, achar uma posição adequada para a hora da amamentação, evitar roupas que apertem a barriga da criança, colocá-la para arrotar por mais tempo após as mamadas e usar um travesseiro anti-refluxo.

O tratamento para os casos mais sérios é medicamentoso e em geral orientado por um médico especialista. A partir dos sintomas e da intensidade deles, o tratamento vai ser conduzido por esse profissional.

Caso fique provado que o bebê tem intolerância à lactose, por exemplo, o fato de retirá-la da alimentação já pode aliviar os sintomas. Em outras ocasiões, pode ser necessário modificar a dieta do bebê, da lactante e ainda ter ajuda de uma medicação específica.

Dica: Como deve ser a alimentação do bebê no primeiro ano de vida?

Como é feito o diagnóstico do refluxo?

Um dos primeiros sinais que o médico vai avaliar é se o bebê está ganhando peso adequadamente. Depois avaliará se o paciente golfa com frequência, em que quantidade e se apresenta irritabilidade após as mamadas ou não. Feito isso, o pediatra pode pedir exames de acordo com os sintomas relatados pelos pais ou iniciar prova terapêutica com medicação anti-refluxo.

Quando devo procurar um médico?

Todo recém nascido deve ser acompanhado mensalmente por um pediatra e é esse profissional que, em geral, suspeita e faz o diagnóstico, podendo inclusive encaminhar para um gastropediatra, caso ache necessário. É muito importante manter as consultas periódicas com o pediatra e entrar em contato com esse profissional caso os pais notem alguma mudança de comportamento da criança.

O esperado é que a partir dos 6 meses a condição diminua de frequência.

Para resumir, fique atento a estes sintomas:

  • o bebê parecer irritado durante a amamentação;
  • chora frequentemente;
  • vômitos após mamar;
  • dificuldade para pegar no sono, como se estivesse inquieto com algo;
  • mal hálito;
  • tosse;
  • problema persistente após os 6 meses;
  • dores de garganta ou de ouvido frequentes;
  • perda de peso;
  • peito com chiado ao respirar;
  • baba excessiva.

Tendo o diagnóstico em mãos, pode ser feito um tratamento mais direcionado, com diminuição dos sintomas que causavam irritação.

Para continuar se prevenindo de outras condições que podem afetar seu filho, confira mais um de nossos posts e saiba como cuidar do bebe recém-nascido em pleno verão.

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    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    Dra. Mariana Mader Pires de Castro

    (CRM: 876879RJ)
    Graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá;
    Residência Médica em Pediatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Residência Médica em Endocrinologia Pediátrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
    Certificado de Atuação na Área de Endocrinologia Pediátrica (CAAEP)- RJ; Mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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