Gravidez

Vacinas para gestantes: o que fazer diante da febre amarela?

Nos últimos meses, o surto de febre amarela mobilizou as autoridades sanitárias brasileiras e deixou a população em estado de alerta em várias regiões do país. Essa preocupação tem razão de ser, pois trata-se de uma doença com diferentes níveis de complexidade, podendo levar à morte nos casos mais graves.

A boa notícia é que a vacina distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) previne a contaminação pelo vírus da febre amarela. No entanto, a abordagem da febre amarela na gravidez exige uma atenção maior, pois o uso de medicamentos e vacinas durante a gestação pode aumentar o risco de complicações no estado de saúde de mãe e filho.

Por isso, o artigo de hoje responde às principais perguntas sobre a prevenção, a transmissão e o tratamento da febre amarela em gestantes. Para começar, falaremos sobre a situação atual do surto e, em seguida, sobre a questão da vacinação contra a doença na gravidez. Continue a leitura e esclareça todas as suas dúvidas!

Qual é o cenário atual do surto de febre amarela no Brasil?

Embora seja uma doença comum da região amazônica, a febre amarela manifesta-se em surtos irregulares em outros locais do Brasil, tornando-se extremamente preocupante quando atinge as áreas de grande concentração populacional. Em 2018, o surto ainda não atingiu as proporções do ano anterior, mas já mobilizou a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as autoridades de saúde do país, estabelecendo programas de vacinação.

Atualmente, apenas Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe não foram classificados como zona de risco. Em todos esses estados a vacinação segue dentro da programação normal do SUS. Já no início do ano, o Ministério da Saúde realizou um mutirão de vacinação em municípios da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, devido ao aumento da concentração de casos da doença nessas regiões.

De fato, a vacina é a melhor proteção contra o vírus da febre amarela. Esse é o assunto da próxima pergunta que responderemos. Acompanhe!

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Como a mulher pode se proteger contra a doença?

Uma vez que a principal proteção contra a febre amarela é a vacinação, todas as mulheres devem manter seu cartão de vacinas em dia. Para aquelas que estão planejando uma gravidez, essa recomendação é ainda mais essencial, devido a fatores que explicaremos adiante.

A vacina contra a febre amarela faz parte do calendário básico de vacinação do SUS e está disponível em todos os postos de saúde. Um temor de grande parte das pessoas é sobre os efeitos colaterais da vacina. A febre, a dor de cabeça e as dores no corpo são as intercorrências que atingem entre 2% e 5% da população vacinada. Já os sintomas mais graves só são observados em uma a cada 250 mil pessoas.

A forma fracionada da vacina é tão eficaz quanto a forma plena, que só é indicada para as crianças menores de dois anos ou para quem fará viagens para países que exigem o Certificado Internacional de Vacinação e não aceitam a imunização com a vacina fracionada. Seja com a versão fracionada ou plena, basta uma dose para que a pessoa fique imunizada por toda a vida.

Depois de vacinadas, as mulheres devem aguardar dez dias para deslocarem-se para áreas de risco, pois esse é o período que o organismo leva para produzir os anticorpos contra o vírus da febre amarela. Entretanto, não são todas as mulheres que podem ser vacinadas. Existem recomendações específicas para lidar com a febre amarela na gravidez.

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A gestante pode receber a vacina contra febre amarela?

No geral, um dos maiores questionamentos quando o assunto é febre amarela na gravidez é: as gestantes podem ser vacinadas? Para responder a essa pergunta é preciso, em primeiro lugar, entender como o processo de imunização funciona no caso da doença.

A vacina é feita a partir do vírus vivo atenuado. O organismo identifica esse vírus como um inimigo e reage à sua presença, produzindo anticorpos que protegerão o corpo no caso de um contato com o vírus em sua forma habitual.

A gravidez é um período de muitas mudanças no corpo feminino. Uma delas é a queda na imunidade, que deixa a mulher mais propensa a infecções. Por essa razão, a vacina de febre amarela é contraindicada durante a gestação. Como as defesas do organismo estão diminuídas, há maiores chances da grávida sofrer com efeitos colaterais graves ou manifestar alguns sintomas da doença, como febre alta, dor de cabeça e vômito.

Porém, se o risco de contrair a febre amarela for tão grande a ponto de tornar-se um problema maior do que os possíveis efeitos colaterais ou sintomas brandos causados pela vacina, é melhor que a gestante seja vacinada. Essa condição vale para as mulheres que moram em áreas de risco ou que viajarão para esses locais. A recomendação é para que as gestantes nessa situação conversem com o médico obstetra para que a relação custo-benefício da vacinação seja avaliada da melhor forma possível.

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Quais são as outras contraindicações para as mulheres?

As gestantes que apresentem o sistema imunológico extremamente debilitado ou aquelas que têm alergia a ovo não podem ser vacinadas. Quanto às mães que estão no período de amamentação, a recomendação primordial é que elas não sejam vacinadas até que o bebê complete seis meses de vida.

Esse cuidado é necessário porque o vírus atenuado da vacina pode causar sintomas graves nos bebês mais novos, uma vez que ele é transmitido pelo leite. Porém, as mulheres que residem em zonas de alto risco ou que viajarão para esses lugares devem receber a versão fracionada da vacina.

No caso da vacinação de mães com crianças maiores que seis meses, é preciso suspender o aleitamento por um intervalo de 28 dias. De forma geral, se depois de receber a vacina a mulher apresentar sintomas da febre amarela, o ideal é evitar o aleitamento durante dez dias e observar o aparecimento de sintomas no bebê.

E como fica a situação dos bebês maiores de seis meses?

A situação dos bebês maiores de seis meses em relação à vacinação contra a febre amarela também está entre as dúvidas comuns. Como você já sabe, os pequenos com menos de seis meses não podem receber a vacina contra febre amarela. De acordo com o calendário de vacinações do Ministério da Saúde, os bebês devem ser vacinados aos nove meses de vida, com reforço aos quatro anos.

No entanto, nos locais de alta circulação do vírus (região amazônica) ou quando ocorrem surtos de febre amarela, como o atual, vale a recomendação para que as crianças sejam vacinadas a partir dos seis meses. Nesses casos, o critério de avaliação é o mesmo utilizado para as gestantes: a vacina deve ser aplicada se os benefícios da proteção forem maiores do que os riscos de possíveis efeitos adversos prejudiciais.

Quais são as outras forma de se proteger da febre amarela?

Diante de um surto da doença, a primeira recomendação das autoridades sanitárias é evitar a locomoção para os locais onde há concentração elevada de casos. Trata-se de uma medida para diminuir as possibilidades de circulação do vírus, sobretudo em regiões de mata, nas quais o micro-organismo circula de forma natural.

Entretanto, nos casos de gestantes que moram em áreas de risco ou das que precisam mesmo viajar para esses lugares, existem algumas orientações para evitar a picada do mosquito que transmite a doença.

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Uso de repelentes

O primeiro passo é fazer uso dos repelentes indicados pelo médico obstetra, lembrando de passar o produto em todas as regiões do corpo que ficarão descobertas, de maneira especial nos braços e pernas. Outro cuidado necessário em relação ao repelente é a reaplicação caso haja suor excessivo, por exemplo, nos dias de muito calor. Um lembrete importante: o uso de qualquer tipo de repelente é contraindicado para os bebês menores de seis meses.

Escolha de roupas adequadas

Além do repelente, as gestantes que moram ou transitam nas regiões de alta incidência de febre amarela devem dar preferência, sempre que possível, para roupas que cubram a maior parte do corpo. Assim, calças e blusas de manga comprida, vestidos longos e meias são muito bem-vindos.

Proteção de portas e janelas, além do uso de mosquiteiros

Por fim, as portas e janelas devem ser mantidas fechadas, especialmente ao final do dia, horário em que os mosquitos costumam adentrar para as residências. Uma alternativa bastante válida é a instalação de telas de proteção para permitir a circulação do ar e barrar a entrada do mosquito. Os mosquiteiros instalados sobre as camas completam as defesas.

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Cuidado com o acúmulo de água parada

O combate vetor que transmite a doença também deve considerar a mobilização para evitar o acúmulo de água em recipientes como garrafas e pneus, pois é nesse ambiente que os mosquitos se proliferam.

O que é a febre amarela e como ela é transmitida?

A febre amarela é uma patologia infecciosa grave causada por um vírus que é transmitido por meio de mosquitos, que são chamados vetores da doença. Ela ocorre na América do Sul, América Central e em alguns países da África.

Um aprendizado necessário sobre a febre amarela na gravidez diz respeito aos seus sintomas. É fundamental que a gestante esteja atenta a eles para procurar atendimento médico da forma mais rápida possível assim que notar qualquer sinal. Sendo assim, os primeiros sintomas da febre amarela são:

  • febre de início súbito;
  • calafrios;
  • dores de cabeça e no corpo;
  • náuseas ou vômitos;
  • fadiga.

Nos casos mais graves, a febre é mais alta e o paciente apresenta a icterícia (o corpo e os olhos ficam amarelados), sintoma que dá nome à doença. Nesse quadro, também pode ocorrer sangramento no nariz, na gengiva, no estômago, nas fezes ou na urina.

Nos espaços rurais e de mata nativa os vetores de transmissão da febre amarela são os mosquitos Haemagogus e o Sabethes. Já nas áreas urbanas, a doença pode ser transmitida por um velho conhecido da população brasileira, o Aedes aegypti, que também transmite os vírus da dengue, chikungunya e zika.

Ainda em relação à transmissão da febre amarela, é importante frisar que não existe contaminação de um ser humano para outros e que as pessoas que já tiveram a doença tornam-se imunes ao vírus e não adoecem novamente. Também é importante lembrar que, embora sejam contaminados pelos vírus por meio da picada do mosquito, os macacos não transmitem a febre amarela para os humanos.

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Qual é o prognóstico e como é feito o tratamento?

A maioria das pessoas melhora após os sintomas mais brandos. No entanto, cerca de 15% dos doentes apresenta uma breve melhora, de cerca de algumas horas a um dia, seguida da manifestação dos sintomas mais graves da febre amarela. Nesses casos, a rapidez no atendimento médico é fundamental para preservar a vida, pois cerca de 20% a 50% da população acometida pela forma grave da doença morre. Diante desse prognóstico, as gestantes precisam ter atenção redobrada para, ao menor sinal de uma possível contaminação pelo vírus, procurarem atendimento médico.

Quanto ao tratamento, não existe um protocolo específico para abordagem da febre amarela. O foco da equipe de saúde estará no combate seus sintomas, de acordo com a sua gravidade, e no alívio das queixas do paciente, com procedimentos como:

  • a suspensão das atividades profissionais e o repouso;
  • a prescrição de analgésicos (remédios para dor) e de antitérmicos (para reduzir a febre);
  • a reidratação por meio da ingestão de água e outros líquidos ou da administração de soro intravenoso;
  • a transfusão de sangue;
  • administração de analgésicos para dor e reposição de líquidos e sangue, quando necessário.

Medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS) não podem ser utilizados, pois eles aumentam a chance de surgirem hemorragias (perda sanguínea) no quadro de sintomas. O atendimento hospitalar pode ser necessário diante de complicações e, nos casos mais graves, é preciso internação em unidades de tratamento intensivo (UTIs).

Finalizando os nossos esclarecimentos, vale a pena ressaltar que a primeira conduta das gestantes diante de qualquer alteração no estado de saúde deve ser a busca da orientação médica. Dessa forma, é possível prevenir as doenças que costumam acometer as grávidas e iniciar o tratamento adequado o quanto antes.

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Categorias: Gravidez , Saúde na gravidez

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